Plataformas de hospedagem como Airbnb e Hoteis.com decidiram implementar alertas para usuários sobre preços abusivos durante a COP30 em Belém. A decisão foi tomada após recomendações de órgãos públicos, visando conter o aumento excessivo dos valores de hospedagem para o evento internacional, que deve reunir cerca de 50 mil pessoas em novembro.
Enquanto isso, Booking.com e Agoda não aceitaram as recomendações e agora enfrentam ação civil pública. O alto custo preocupa organizadores e delegações, levando até a ONU a reduzir sua participação.
Medidas adotadas por plataformas de hospedagem
O anúncio das medidas ocorreu nesta sexta-feira (12), após recomendações de órgãos como Defensoria Pública, Ministério Público, Procon, Ordem dos Advogados do Brasil e governo. Airbnb e Hoteis.com comprometeram-se a alertar usuários quando os preços estiverem acima da média e a bloquear anúncios considerados abusivos, embora não tenha sido especificado qual das duas fará o bloqueio.
Segundo Dennis Verbicaro, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-PA, “a ideia foi fazer com que essas plataformas avisassem seus usuários de casos com valor elevado para que possam escolher de maneira consciente, buscando outras alternativas”.
As plataformas também informaram que reduzirão preços em até 30% até outubro, utilizando como referência o valor praticado durante o Círio de Nazaré, tradicional alta temporada em Belém. O defensor público Cássio Bittar explicou que a intenção é alinhar os preços à média de mercado, evitando aumentos de até três vezes o valor usual.
Reação de outras plataformas e fiscalização
Enquanto Airbnb e Hoteis.com acataram as recomendações, Booking.com e Agoda recusaram e agora são alvo de ação civil pública ajuizada na quinta-feira (11). “Elas poderão sofrer restrições e serem submetidas à aplicação de multas”, afirmou o representante da OAB.
O Procon realizou fiscalizações em hotéis da capital paraense nesta semana, buscando orientar estabelecimentos quanto aos preços praticados. A DPE já havia informado que judicializaria o caso caso não houvesse acordo.
O aumento dos preços de hospedagem preocupa a organização da COP30, que espera receber cerca de 50 mil pessoas durante 12 dias em Belém. Alguns países anunciaram que não enviarão delegações completas devido aos custos, e a própria ONU pediu corte nas suas equipes.
O Airbnb divulgou que a média de preços caiu 22% desde fevereiro, mas ainda é difícil encontrar tarifas próximas a 100 dólares, valor exigido pela ONU para delegações de baixo orçamento. A reportagem do g1 procurou as plataformas para comentar a exclusão de anúncios abusivos, mas aguarda retorno.
As autoridades estimam que 60% dos participantes ficarão em propriedades particulares. Para ampliar a oferta, o governo disponibilizou dois navios privados com 6 mil camas, localizados a 20 quilômetros do evento.