Política

Moraes e Fux divergem no início do julgamento sobre trama golpista no STF

Primeira discordância entre ministros ocorre durante leitura do voto de Alexandre de Moraes na Primeira Turma

No terceiro dia do julgamento da trama golpista, o ministro do STF Alexandre de Moraes foi interrompido por Luiz Fux logo no início da leitura de seu voto. O episódio marcou a primeira divergência entre os ministros, relacionada ao local adequado para o julgamento.

A discussão girou em torno de se o caso deveria ser apreciado pela Primeira Turma ou pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, com Fux defendendo o julgamento no plenário.

Discussão sobre competência do julgamento

Durante a leitura das preliminares do processo, Alexandre de Moraes foi interrompido por Luiz Fux, que pediu a palavra para ressaltar sua posição. Fux afirmou: “Vossa Excelência está votando as preliminares. Eu vou me reservar ao direito de voltar a elas na oportunidade em que eu vou votar, porque desde o recebemos da denúncia, por uma questão de coerência, eu sempre ressalvei e fui vencido nessas posições. Por sorte que vou voltar a essa, muito embora, assim como Vossa Excelência, votando direto”.

Fux reiterou que, em sua visão, o julgamento deveria ocorrer no plenário do STF, não na Primeira Turma. Moraes respondeu que todas as preliminares mencionadas até então haviam sido votadas por unanimidade, inclusive com o voto de Fux, mas destacou que a discussão sobre a competência da Primeira Turma foi vencida por maioria, com Fux sendo voto vencido, pois defendia o julgamento no plenário.

Moraes completou: “A preliminar de incompetência do Supremo Tribunal Federal e subsidiariamente incompetência da Primeira Turma para processamento e julgamento, também foi afastada no momento do recebimento da denúncia por maioria de votos. Essa por maioria de votos, vencido o eminente ministro Luiz Fux, que entendia que deveria ser competência do plenário do Supremo Tribunal Federal”.

Regras de condução dos votos e apartes

O clima de divergência se acentuou quando o ministro Flávio Dino pediu um aparte durante a leitura do voto de Moraes, sendo autorizado por ele. Luiz Fux contestou a permissão, lembrando que havia um acordo prévio entre os ministros da Primeira Turma para que não houvesse apartes durante os votos.

Fux declarou: “Combinamos nessa sala aqui atrás que os ministros votariam direto sem intervenções de outros colegas, embora foi muito própria essa intervenção [de Dino], mas eu gostaria de cumprir aquilo que nós combinamos no momento em que eu votar.” Dino respondeu: “Pode ficar tranquilo, não vou pedir aparte no seu voto.” Após esse episódio, o julgamento prosseguiu normalmente, sem novos incidentes públicos.