O Exército israelense emitiu neste sábado (6) novas ordens de evacuação para bairros da Cidade de Gaza, onde vivem cerca de um milhão de palestinos, segundo a ONU. Um edifício de vários andares foi destruído, identificado por testemunhas como Susi, no sudoeste da cidade. A ofensiva ocorre em meio à ampliação das operações terrestres e bombardeios, com o exército afirmando controlar 40% da região.
Operações e destruição de edifícios
O coronel Avichay Adraee, porta-voz em língua árabe do Exército, ordenou a evacuação de áreas específicas da Cidade de Gaza, direcionando a população para Khan Younis, no sul, classificada como “humanitária” e preparada para receber deslocados. Pouco depois, o Exército anunciou a destruição de um edifício de grande altura, identificado como Susi, alvo da ordem de evacuação, repetindo a ação do dia anterior, quando o segundo prédio mais alto de Gaza foi destruído.
Vídeos mostram o ataque de sexta-feira, realizado com três mísseis de alta precisão, atingindo a base do prédio e levantando uma grande nuvem de poeira ao lado de um campo de tendas de refugiados. O Exército israelense acusa o Hamas de usar esses edifícios para apoiar suas atividades e de utilizar infraestruturas civis para se proteger, algo que o grupo nega. As autoridades militares já haviam alertado que atacariam grandes edifícios residenciais considerados ameaça.
O Exército afirma controlar 40% da Cidade de Gaza e 75% de toda a Faixa de Gaza, declarando intenção de tomar a cidade por considerá-la o último bastião do Hamas e possível local de reféns.
Negociações e reféns
A ofensiva ocorre após o presidente americano Donald Trump afirmar que os EUA estão em negociações “muito profundas” com o Hamas. O Exército estima que 25 dos 47 reféns ainda em Gaza estão mortos. O Hamas aceitou uma proposta de cessar-fogo em agosto, mediada por Egito, EUA e Catar, mas Israel exige a libertação total dos reféns e o desarmamento do grupo.
Reações e condições dos deslocados
Em mensagem, Adraee declarou Al Mawasi, ao sul da Cidade de Gaza, como “zona humanitária” para facilitar a evacuação, afirmando que o local conta com infraestrutura essencial, alimentos, tendas, medicamentos e equipamentos médicos. No entanto, relatos de deslocados contestam a segurança e as condições do local. Abdelnaser Muchtaha, de 48 anos, afirma: “O Exército mente para as pessoas. Quando buscamos ajuda, abrem fogo”. Basam al Astal, de 52 anos, diz que a zona não é “nem humanitária nem segura”, relatando falta de espaço, serviços, água e alimentos.
Na sexta-feira, o Exército intensificou operações, bombardeando outro prédio após aviso de evacuação, resultando no desmoronamento da torre. Segundo a Defesa Civil palestina, 42 pessoas morreram na sexta-feira por disparos ou bombardeios, metade na Cidade de Gaza. A AFP ressalta que, devido a restrições e dificuldades de acesso, não é possível verificar de forma independente os números.
Balanço de vítimas
O ataque de 7 de outubro de 2023 provocou 1.219 mortes em Israel, a maioria civis, segundo levantamento da AFP. As represálias israelenses deixaram pelo menos 64.300 mortos em Gaza, principalmente mulheres e crianças, conforme o Ministério da Saúde de Gaza, cujos dados são considerados confiáveis pela ONU.