Moradores de Belém comemoram a entrega de novas áreas de lazer realizadas para a COP 30, mas relatam transtornos como alagamentos, barulho e atrasos nas obras. As intervenções incluem parques, reformas de mercados e projetos de mobilidade, porém, mudanças nos prazos e dificuldades no cotidiano geram críticas e preocupação entre a população.
Novas áreas de lazer e impactos das obras
As obras da COP 30 em Belém têm proporcionado melhorias, especialmente com a criação de áreas de lazer. Moradores destacam a revitalização de espaços como o Parque Linear da Doca e o Parque da Cidade, que prometem ser pontos de encontro e lazer durante e após o evento. Railson Alves, arquiteto, acredita que a revitalização aumenta o tráfego e a sensação de segurança. Gleice Garcia, moradora da Sacramenta, ressalta o benefício de estruturas de lazer em bairros periféricos.
Entretanto, muitos enfrentam transtornos. Alessandra Moraes relata que sua casa passou a alagar após a elevação da rua por conta das obras, afetando também o pai idoso. Já Narcisa Brito, do bairro Tapanã, lamenta a paralisação da obra do canal Mata Fome, citando promessas não cumpridas e prejuízos aos moradores.
Obras de mobilidade e saneamento
Projetos de mobilidade, como o BRT Metropolitano, acumulam atrasos desde 2019. Ray Mesquita, vendedora, aponta melhorias futuras, mas reclama do perigo e da falta de sinalização. Paulo Serrão, motoboy, destaca o impacto negativo no trânsito diário. Na área de saneamento, a macrodrenagem dos canais Mártir e Murutucu avança, com 70% das obras concluídas, enquanto o canal Mata Fome segue parado. A macrodrenagem do Tucunduba já beneficiou moradores, como Antônio Furtado, que não sofre mais com alagamentos.
Desafios e expectativas para a COP 30
A reforma do Complexo do Ver-o-Peso, importante para o turismo e economia local, sofre com atrasos. Comerciantes como Jandira Brito e Marcelo do Carmo relatam queda no movimento e prejuízos financeiros. A prefeitura promete entregar os mercados de Carne e Peixe em setembro e concluir o complexo até a COP 30.
Apesar dos avanços, moradores e trabalhadores criticam a falta de comunicação, acessibilidade e dúvidas sobre o legado das obras após o evento. O estudante Davi Ribeiro questiona se as intervenções vão além de uma “maquiagem” para turistas. Já a vendedora do Parque Porto Futuro acredita em melhorias com a padronização dos espaços. Usuários do Parque da Cidade elogiam a infraestrutura, mas pedem mais instrutores e horários de funcionamento adequados.
O governo do Pará afirma que as obras seguem o cronograma e que os investimentos trarão benefícios duradouros. A Prefeitura de Belém diz que recursos estão garantidos e contratos em formalização para retomada das obras paradas. A população, no entanto, segue dividida entre a esperança de melhorias e a frustração com os transtornos e incertezas.