Vladimir Putin declarou nesta quarta-feira (3/9) que as tarifas impostas pelos EUA ao Brasil refletem questões políticas internas, especialmente envolvendo o julgamento de Jair Bolsonaro, e não desequilíbrio comercial. A declaração ocorreu durante coletiva em Pequim, durante visita à China.
Putin também destacou que, ao contrário da Índia, não há desequilíbrio comercial entre Brasil e EUA que justifique a medida. O presidente russo ainda afirmou que o evento na Ucrânia serve apenas como pretexto para decisões econômicas dos EUA.
Contexto das tarifas e relações internacionais
Em coletiva de imprensa na China, Putin foi questionado sobre possíveis sanções europeias a parceiros comerciais russos. Ele respondeu que o tema não foi discutido com líderes chineses e afirmou que “o evento na Ucrânia é apenas um pretexto” para questões econômicas envolvendo vários países.
Putin explicou que as tarifas dos EUA sobre o Brasil diferem das aplicadas à Índia, pois, segundo ele, “há um desequilíbrio na balança comercial entre os EUA e a Índia, mas não entre Brasil e EUA”. O líder russo apontou que as sanções contra o Brasil têm relação com “problemas na situação política doméstica”, incluindo o julgamento do ex-presidente Bolsonaro pelo STF.
O presidente americano Donald Trump anunciou em julho tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e pediu o fim do julgamento de Bolsonaro, alegando perseguição política. O governo brasileiro refutou a justificativa, ressaltando que a balança comercial é favorável aos EUA, com saldo de US$ 43 bilhões em dez anos.
Lula classificou as tarifas como tentativa de interferência no Judiciário e afirmou: “O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém”.
Desdobramentos e repercussão
Além do Brasil, apenas a Índia enfrenta a mesma sobretaxa de 50% dos EUA. No caso indiano, a justificativa americana foi a compra de petróleo russo. O governo dos EUA também ameaçou outros países que importam petróleo da Rússia com medidas semelhantes.
No Brasil, 60% do diesel importado nos últimos quatro anos veio da Rússia, mas Trump nunca relacionou diretamente as tarifas a esse fator. A imposição da tarifa ocorreu antes de ameaças relacionadas ao combustível russo.
Durante sua visita à China, Putin participou do desfile militar pelos 80 anos da vitória chinesa sobre o Japão, ao lado de líderes como Kim Jong-un. O Brasil foi representado por Celso Amorim e Dilma Rousseff. Putin também participou da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai e se reuniu com Xi Jinping, em meio a expectativas sobre discussões relativas à guerra na Ucrânia.