As exportações da China cresceram apenas 4,4% em agosto, o ritmo mais fraco em seis meses, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (8). O desempenho reflete o impacto da guerra tarifária com os Estados Unidos, enquanto outros mercados trouxeram algum alívio ao governo chinês.
As vendas para os EUA despencaram 33,1% no mês, mas embarques para o Sudeste Asiático subiram 22,5%. O governo de Xi Jinping busca diversificar destinos para manter a meta de crescimento anual sem novos estímulos fiscais.
Desempenho das exportações e importações
Em agosto, as exportações da China cresceram 4,4% em relação ao mesmo mês de 2022, abaixo da previsão de 5% segundo pesquisa da Reuters. Em julho, o crescimento havia sido de 7,2%, superando expectativas do mercado financeiro. As importações aumentaram 1,3% em agosto, também abaixo da previsão de 3% e inferior ao crescimento de 4,1% do mês anterior.
O governo chinês, liderado por Xi Jinping, está incentivando os fabricantes a diversificarem os destinos de exportação, especialmente após o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump. Essa estratégia visa ajudar Pequim a alcançar a meta de crescimento anual de 5% sem recorrer a novos estímulos fiscais de curto prazo.
O desempenho mais fraco das exportações em agosto também foi influenciado por uma base de comparação elevada, já que, no mesmo período do ano anterior, muitos fabricantes anteciparam embarques para evitar tarifas de parceiros comerciais.
Impacto da guerra tarifária
As exportações para os Estados Unidos caíram 33,1% em agosto, enquanto os embarques para países do Sudeste Asiático cresceram 22,5%. Para minimizar o impacto das tarifas americanas, os exportadores chineses estão buscando ampliar vendas para Ásia, África e América Latina. No entanto, nenhum desses mercados tem o porte dos Estados Unidos, que compram mais de US$ 400 bilhões em produtos chineses anualmente.
Histórico da guerra tarifária entre China e EUA
A disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo se intensificou após o anúncio de tarifas por Donald Trump no início de abril. A China foi alvo de uma taxa de 34%, somando-se aos 20% já existentes sobre produtos chineses.
Em resposta, o governo chinês impôs tarifas extras de 34% sobre as importações americanas em 4 de abril. Os EUA retaliaram, e Trump estipulou um prazo para a retirada das tarifas, ameaçando elevar a taxação total para 104% caso não houvesse acordo.
A China manteve sua posição, prometendo “revidar até o fim”. Trump cumpriu a ameaça e aumentou as tarifas sobre produtos chineses. No dia seguinte, a China elevou as taxas sobre produtos americanos para 84%, igualando o percentual dos EUA.
Trump então anunciou uma “pausa” no tarifaço para outros países, mas manteve a China como exceção, subindo a taxação para 125%. Em 10 de abril, a Casa Branca explicou que as novas tarifas somadas àquelas já existentes resultaram em uma alíquota total de 145%. Como resposta, os chineses elevaram as tarifas para 125% sobre produtos americanos em 11 de abril.