O tarifaço imposto pelos Estados Unidos resultou em uma queda de 27,7% nas exportações brasileiras em apenas um mês. O impacto foi sentido de forma desigual entre as regiões, com destaque para o Sudeste e Nordeste.
Empresas de setores como pescados e castanhas enfrentam dificuldades para escoar produtos e buscam alternativas para minimizar prejuízos. Pesquisadores destacam a necessidade de políticas públicas focadas para superar o cenário.
Impactos regionais e setoriais do tarifaço
O primeiro mês do tarifaço implementado pelo governo Donald Trump trouxe efeitos distintos para as regiões brasileiras. Segundo pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, utilizando dados do governo federal, as exportações para os Estados Unidos caíram 27,7% em um mês e 18,5% na comparação anual.
No Sudeste, principal exportador para os EUA, a retração foi de 38% em um mês. Já o Nordeste registrou queda de 52,7% entre julho e agosto, mas com saldo anual positivo, indicando antecipação de vendas para evitar a sobretaxa.
Setores como o de pescados foram fortemente atingidos. Thiago de Luca, CEO da Frescatto, relata que as vendas de lagosta praticamente pararam, com previsão de atingir apenas 12,5% do volume vendido em 2024. “A gente não tem mais previsão de embarque para o ano de 2025”, afirma.
Na indústria de castanhas do Ceará, a Usibras precisou adotar medidas como redução de banco de horas e férias para evitar demissões, segundo o diretor-executivo Thiago Taumaturgo.
Reação das empresas e perspectivas
O estudo da FGV destaca que o impacto do tarifaço foi rápido, profundo e desigual. Flavio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, ressalta que os dados podem ajudar o governo federal a adotar políticas públicas mais precisas para apoiar estados e setores afetados.
Apesar das dificuldades, empresas buscam novos mercados, especialmente na Europa e Ásia, para compensar as perdas. “O pescado brasileiro é conhecido como de alta qualidade no mundo todo, mas a gente precisa de tempo para conseguir suportar esse impacto inicial tão forte que o setor teve”, afirma Thiago de Luca.
Os pesquisadores alertam que ainda é cedo para avaliar o efeito do tarifaço no emprego, pois os setores estão em processo de reorganização. O acompanhamento dos próximos meses será fundamental para entender a real extensão das consequências e as possibilidades de reversão dos prejuízos.