As exportações do Brasil para os Estados Unidos registraram queda de 18,5% em agosto, segundo dados do Ministério da Economia divulgados nesta quinta-feira (4). O déficit comercial entre os dois países atingiu o maior valor do ano, impulsionado pelo aumento das tarifas comerciais americanas.
O saldo negativo reflete o desequilíbrio crescente na balança comercial bilateral, com destaque para setores agrícola e industrial. Especialistas alertam para a necessidade de negociações que revertam o cenário.
Impacto das tarifas comerciais dos EUA
O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos tem prejudicado a competitividade dos produtos brasileiros, especialmente nos setores agrícola e industrial. O chamado tarifaço, anunciado pelo presidente Donald Trump, foi implementado de forma gradual, atingindo uma sobretaxa de 50% sobre cerca de 36% das vendas externas brasileiras aos EUA a partir de 6 de agosto.
O governo norte-americano justificou as medidas alegando questões econômicas e políticas, incluindo o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e temas ligados à liberdade de expressão. A resposta do governo brasileiro incluiu um pacote de medidas para socorrer empresas afetadas, como a criação de uma linha de crédito de R$ 30 bilhões, seguro à exportação, diferimento de impostos, prorrogação do prazo do drawback, novo Reintegra e incentivo à diversificação de mercados.
Balança comercial e números de agosto
Em agosto, as exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 2,76 bilhões, queda de 18,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As importações dos EUA, por outro lado, cresceram 4,6%, totalizando US$ 3,99 bilhões. O saldo comercial ficou deficitário em US$ 1,23 bilhão, o maior resultado negativo mensal de 2024. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o déficit do Brasil com os EUA chegou a US$ 3,48 bilhões, alta de 370% no período.
Desempenho com outros parceiros e perspectivas
Apesar da queda nas exportações para os Estados Unidos, o Brasil registrou crescimento nas vendas para outros grandes parceiros em agosto. As exportações para a China subiram 29,9%, para o México avançaram 43,8% e para a Argentina cresceram 40,4%. Considerando todas as transações comerciais, a balança comercial brasileira teve superávit de US$ 6,13 bilhões em agosto, alta de 35,8% em relação ao mesmo mês de 2024.
No acumulado do ano, o saldo comercial segue positivo em US$ 42,81 bilhões, apesar da queda de 20,2% frente ao mesmo período do ano passado. Analistas avaliam que, caso as tarifas americanas permaneçam elevadas, o comércio bilateral pode continuar sob pressão, tornando necessárias novas negociações para redução de barreiras e recuperação do equilíbrio comercial.