Política

Defesa de general cita Bolsonaro como peça central em plano golpista

Advogados de general reconhecem papel de Bolsonaro em articulação de golpe e causam tensão entre aliados

A defesa do general Gustavo Henrique Dutra afirmou à Justiça que o ex-presidente Jair Bolsonaro era o principal articulador do plano de golpe investigado pela Polícia Federal.

A declaração foi apresentada em documento judicial nesta semana, colocando Bolsonaro no centro das investigações e gerando forte reação entre seus apoiadores.

Aliados do ex-presidente demonstraram insatisfação e preocupação com o novo posicionamento da defesa do militar.

Defesa aponta Bolsonaro como líder de articulação

No documento entregue à Justiça, os advogados de Gustavo Henrique Dutra detalham que o general apenas cumpria ordens e que toda a estrutura do suposto plano golpista era comandada por Jair Bolsonaro. A defesa busca afastar a responsabilidade do militar, alegando que ele não participou de decisões estratégicas e que agiu conforme orientações superiores.

O texto reforça que Dutra não tinha autonomia e que a iniciativa partiu do núcleo político ligado ao ex-presidente. A menção direta a Bolsonaro é considerada inédita no processo, pois até então a maioria dos investigados evitava citar nomes da alta cúpula.

Reação entre aliados

A estratégia da defesa de Dutra surpreendeu integrantes do círculo bolsonarista. Parlamentares e militares próximos ao ex-presidente interpretaram a medida como uma tentativa de transferir a pressão judicial para Bolsonaro, o que gerou desconforto e discussões internas sobre a condução das defesas dos demais investigados.

Repercussão e próximos passos

A declaração da defesa do general Dutra amplia a crise no entorno de Jair Bolsonaro, que já vinha enfrentando dificuldades para unificar o discurso entre seus aliados. O episódio pode influenciar futuras estratégias jurídicas de outros investigados, que agora avaliam se manterão a linha de evitar citar o ex-presidente ou se adotarão postura semelhante à de Dutra.

Especialistas apontam que a mudança de estratégia pode acelerar o andamento das investigações e aumentar o isolamento político de Bolsonaro. A expectativa é de que novas manifestações e depoimentos surjam nas próximas semanas, à medida que a pressão sobre os envolvidos cresce.

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