Política

STF ordena retorno de conselheiro afastado do TCE RJ após quase oito anos

José Gomes Graciosa volta ao cargo por decisão do Supremo após afastamento prolongado sem sentença final

José Gomes Graciosa foi afastado do cargo de conselheiro do TCE-RJ em setembro de 2017, acusado de corrupção. O STF determinou seu retorno devido à demora no desfecho do processo. Ele e a esposa são réus por lavagem de dinheiro desde 2021.

Decisão do STF e histórico do caso

O conselheiro José Gomes Graciosa foi afastado do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) em 11 de setembro de 2017, após investigação de corrupção. Desde então, ele aguardava um desfecho judicial. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que, diante do tempo decorrido sem sentença final, Graciosa deve retomar suas funções no órgão.

Graciosa e sua esposa tornaram-se réus em 2021, acusados de lavagem de dinheiro. Apesar das acusações, a defesa sustenta que não há provas contundentes contra ele e que o afastamento prolongado seria injusto.

Posicionamento das partes envolvidas

A defesa de Graciosa declarou que a decisão do STF “faz justiça a quem há anos busca o reconhecimento de sua inocência”. Segundo o advogado Marcelo Leal, “Graciosa aplicou severas sanções às empresas de que foi acusado de receber vantagem indevida, não fazendo sentido que tivesse prejudicado aqueles que, supostamente, o estariam beneficiando”. Leal ainda afirmou que a acusação “é frágil e sua recondução é apenas um capítulo da devida reparação que há de ser feita”.

O TCE-RJ informou que “não comenta decisões judiciais, apenas as cumpre, observando sempre os princípios constitucionais que regem a Administração Pública”.

Repercussão e próximos passos

O retorno de José Gomes Graciosa ao cargo de conselheiro do TCE-RJ reacende debates sobre a duração de afastamentos cautelares no serviço público sem conclusão judicial. A decisão do STF pode influenciar outros casos semelhantes em que servidores aguardam por anos sem julgamento definitivo.

Não há, até o momento, previsão para o desfecho do processo de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo Graciosa e sua esposa. O caso segue em tramitação, enquanto o conselheiro reassume suas funções no tribunal.

A repercussão da decisão é acompanhada de perto por entidades do setor público e especialistas em direito administrativo, que destacam a importância do respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência.