Quatro grandes empresas com capital estrangeiro dominam 55,6% do mercado de café no Brasil, incluindo marcas tradicionais encontradas em supermercados.
Apesar do país ser o maior produtor de café do mundo, marcas como Pilão, 3 Corações, Melitta e Nescafé pertencem a multinacionais com fábricas instaladas no território nacional.
O café vendido no Brasil é feito com grãos 100% nacionais, adquiridos de produtores e cooperativas locais, segundo a Abic.
Estrangeiras à frente das principais marcas
Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e da Nielsen, quatro empresas concentram 55,6% do mercado brasileiro: 3 Corações, JDE Peet’s, Melitta e Nestlé. Entre as marcas controladas por essas multinacionais estão Pilão, Melitta, Café do Ponto, Caboclo, Café Brasileiro e Nescafé.
A 3 Corações é líder do setor, resultado de uma joint-venture entre a brasileira São Miguel Holding e a israelense Strauss, com nove fábricas no Brasil e marcas como 3 Corações, Café Brasileiro, Iguaçu e Santa Clara. A holandesa JDE Peet’s, no país desde 1998, ocupa a segunda posição e detém Pilão, L’OR, Café do Ponto, Café Pelé e Caboclo, com quatro fábricas nacionais.
Já a alemã Melitta, presente desde 1968, iniciou no Brasil com filtros de café e, a partir de 1980, passou a vender café com marca própria, mantendo quatro fábricas. A suíça Nestlé, atuante desde 1921, lançou o Nescafé nos anos 1950 e lidera o segmento de cápsulas com o Nespresso, tendo uma fábrica dedicada ao café.
Entre as nacionais, a Camil entrou no segmento em 2021, operando as marcas Bom Dia, Seleto e União, com fábrica em Varginha (MG).
Como multinacionais conquistaram o mercado brasileiro
A entrada das multinacionais foi gradual. Empresas como Nestlé e Melitta começaram no Brasil com outros produtos antes de investir no café. A JDE Peet’s chegou no final dos anos 1990 adquirindo marcas já consolidadas, enquanto a Strauss Group, de Israel, entrou em 2000 ao comprar a Café Três Corações e, cinco anos depois, formou a joint-venture com o grupo São Miguel Holding.
O avanço das multinacionais coincidiu com a expansão dos supermercados nas décadas de 1990 e 2000, tornando marcas regionais conhecidas nacionalmente. “Até então, o mercado de café era regional e caseiro”, explica Celírio Inácio, diretor executivo da Abic. “Mas com os supermercados chegando a quase todos os estados e cidades, o café acompanhou esse movimento, tornando as marcas regionais conhecidas em outros lugares.”
Com o mercado mais estruturado, as estrangeiras investiram no setor, atraídas pelo alto faturamento, vendas e facilidade de acesso à matéria-prima, segundo Celírio.
Origem do café vendido no Brasil
Apesar do domínio estrangeiro, o café torrado e moído comercializado no Brasil é 100% nacional, com cerca de 22 milhões de sacas destinadas ao consumo interno. As empresas compram grãos diretamente de produtores ou cooperativas e industrializam o produto em fábricas locais. “As empresas precisam ter várias fontes de compra para oferecer aquele tipo de café específico que será produzido. É um mercado muito disputado”, resume Celírio.