O café brasileiro enfrenta uma tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos, elevando custos e gerando incerteza entre importadores americanos. A medida, adotada pelo governo Trump, ameaça a competitividade do produto e pode impactar toda a cadeia produtiva do café.
Importadores relatam dificuldades para manter preços acessíveis e temem queda no consumo. Especialistas acompanham negociações para tentar reverter a situação e minimizar prejuízos ao setor.
Impactos da tarifa sobre o café brasileiro
Com a imposição da tarifa de 50% pelo governo dos EUA, o café do Brasil tornou-se significativamente mais caro para importadores americanos. O país, maior fornecedor do produto aos Estados Unidos, vê sua principal commodity ameaçada por uma política que busca favorecer a produção local, apesar de o café não ser cultivado em escala significativa nos EUA.
Segundo Peter Longo, importador de Nova York, o preço do café brasileiro pode saltar de US$ 15,99 para quase US$ 24 por libra, tornando o produto inviável para muitos consumidores. “Isso vai matar o mercado americano para o café brasileiro”, afirma Longo, destacando que a tarifa pode afastar clientes e prejudicar o setor.
O presidente Donald Trump justifica a medida como forma de estimular a produção interna e gerar empregos, mas a dependência dos americanos do café importado, especialmente do Brasil, torna a estratégia controversa. Os EUA consomem cerca de 450 milhões de xícaras de café diariamente, sendo o maior importador e consumidor global da bebida.
Repercussão e perspectivas para o setor cafeeiro
O aumento das tarifas ocorre em um momento de alta histórica nos preços do café arábica, pressionando ainda mais importadores e consumidores americanos. O café torrado já custava 15% a mais no último mês em relação ao ano anterior.
Dados do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que, nos primeiros sete meses do ano, os EUA importaram 3,713 milhões de sacas, representando 16,8% das exportações brasileiras. A Associação Nacional de Café dos EUA aponta que dois terços dos adultos americanos bebem café diariamente, com consumo médio de três xícaras por pessoa.
Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, explica que os estoques de importadores nos EUA podem segurar os efeitos imediatos da tarifa, mas alerta para impactos futuros caso não haja acordo. “A partir de agora, as indústrias americanas estão em compasso de espera, pois possuem estoque por 30 a 60 dias, o que gera algum fôlego para aguardarem um pouco mais as negociações em andamento”, afirma.
O setor cafeeiro brasileiro busca negociar a inclusão do produto na lista de exceções à tarifa, tentando evitar prejuízos maiores para exportadores e para a economia do país.