Donald Trump declarou que buscará restaurar a pena de morte para assassinos em Washington D.C., mesmo diante de obstáculos legais e rejeição da população local.
O presidente anunciou a medida durante reunião transmitida ao vivo, reforçando o envio de mais de 2 mil soldados da Guarda Nacional para patrulhar a cidade.
Apesar da queda recente nos índices criminais, Trump insiste em endurecer as punições, mas enfrenta decisões da Suprema Corte e referendo popular contrário à pena capital.
Contexto e motivações do plano
O presidente Donald Trump tem usado seu segundo mandato para anunciar medidas polêmicas e fortalecer sua imagem de líder implacável. Recentemente, Trump afirmou: “Tenho o direito de fazer o que quiser. Sou o presidente dos Estados Unidos”, justificando seu ímpeto por ações de forte impacto midiático.
O foco atual é Washington D.C., onde Trump diz buscar a pena de morte para assassinos. Nas últimas semanas, ordenou o patrulhamento da capital por mais de 2 mil soldados armados da Guarda Nacional, alegando necessidade de combate à criminalidade. Entretanto, os dados oficiais do Departamento de Polícia Metropolitana indicam redução de 8% nos crimes e queda de 15% nos homicídios no último ano.
Trump reiterou a proposta durante uma reunião de três horas com seu gabinete, transmitida ao vivo, e descrita pelo jornal The New York Times como um reality show. Ele afirmou que a cidade estava tomada por “criminosos sanguinários, turbas de jovens selvagens, maníacos drogados e moradores de rua”, e se vangloriou de ter realizado 1.500 prisões após a chegada da Guarda Nacional.
Desafios legais e rejeição popular
Apesar da retórica, o plano de Trump esbarra em obstáculos jurídicos significativos. A Suprema Corte declarou a pena de morte inconstitucional em Washington em 1972, e o Conselho da cidade a revogou formalmente em 1981. Em 1992, os moradores rejeitaram a pena capital em referendo, estabelecendo a prisão perpétua como sentença máxima.
Trump aposta na peculiaridade legal da capital, onde o procurador dos EUA pode processar crimes tanto federais quanto locais. Em casos de homicídio federal, promotores podem pedir a pena de morte, mas é necessário unanimidade dos jurados, algo improvável diante da queda de apoio popular à execução de presos. O ex-defensor público federal Jon Jeffress afirmou à CNN: “Será difícil encontrar 12 pessoas em DC que façam isso”.
Assim, a proposta de Trump é vista por advogados como juridicamente inviável e sem respaldo legal, sendo mais uma iniciativa para pressionar adversários políticos e mobilizar sua base.