O governo Trump convidou o Brasil para um evento em Washington, na semana que vem, dedicado ao que chama de “ressurgimento do terrorismo transnacional de esquerda”. O convite foi confirmado ao g1 pelo Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o “The Washington Post”, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, convidou representantes de mais de 60 países para participar da cúpula.
Ofensiva de Trump contra a esquerda
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, afirmou que o evento foi criado porque o terrorismo de extrema-esquerda é “uma antiga ameaça que ressurge com fortes ligações transnacionais”. Em 2025, Trump já havia assinado uma ordem executiva classificando o Antifa como organização terrorista.
A medida veio após o presidente prometer ações contra a esquerda depois do assassinato do ativista de direita Charlie Kirk. Não há, no entanto, indícios de envolvimento de pessoas de esquerda no crime — o principal suspeito, Tyler Robinson, se identifica como militante de extrema direita.
Dúvidas sobre a existência do grupo
A abreviação Antifa designa um grupo internacional formado por correntes de esquerda e extrema esquerda que se opõem ao fascismo. Cientistas políticos e especialistas em antiterrorismo apontam que o movimento não tem comando central nem estrutura organizada, funcionando por meio de ativistas independentes — o que tornou a designação de Trump alvo de críticas.
Precedente com o rótulo de terrorismo
Não é a primeira vez que o governo Trump usa a classificação de terrorismo em temas ligados ao Brasil: em junho, durante o G7, o presidente Lula já havia cobrado respeito à soberania brasileira diante da tentativa dos Estados Unidos de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A cúpula em Washington já vinha sendo articulada havia meses: em março, a agência Reuters informou que o governo Trump organizava um encontro internacional voltado ao combate ao Antifa e a outros grupos considerados de esquerda radical. Agora, com o convite formal ao Itamaraty, resta saber se o Brasil enviará representantes ao evento e qual será o posicionamento do país diante da ofensiva americana.
