O presidente Donald Trump assinou na terça-feira (5) uma nova estratégia nacional de combate ao terrorismo que expande o conceito de ameaça além dos grupos islâmicos tradicionais.
O documento foi revelado por Sebastian Gorka, diretor sênior de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional, e inclui cartéis de drogas, organizações criminosas transnacionais e grupos como o Antifa entre os alvos prioritários da política de segurança americana.
O que muda na definição americana de terrorismo
A nova estratégia é “guiada pelo princípio de que a América é nossa pátria e deve ser protegida”, nas palavras de Gorka à imprensa. O foco hemisférico é explícito: a Casa Branca quer neutralizar ameaças próximas e incapacitar operações de cartéis — um passo além da abordagem anterior, centrada no jihadismo global.
Segundo a revista Time, o governo Trump passa a classificar como terroristas não apenas grupos islâmicos radicais, mas também o que chama de “grupos políticos seculares violentos”. O movimento antifascismo, o Antifa, é citado diretamente. Organizações com ideologias descritas como “anti-americanas, radicalmente pró-gênero ou anarquistas” também entram no novo escopo.
A ampliação do conceito de terrorismo para incluir organizações criminosas transnacionais já havia gerado reação no Congresso americano: deputados democratas pediram ao secretário Rubio evidências concretas antes de incluir o PCC na lista do Departamento de Estado, alertando para o risco diplomático da medida.
Gorka afirmou que Washington vai buscar mais apoio de países aliados que queiram ser vistos como “nações sérias” — sinalizando que a nova doutrina terá implicações diretas nas relações bilaterais no hemisfério.
A abordagem contrasta com a posição apresentada pelo Brasil: Lula defendeu alternativas econômicas — não militares — ao tráfico e sugeriu a criação de um grupo internacional de combate ao crime organizado, em encontro com Trump realizado no dia seguinte à assinatura do documento.
A estratégia chega em meio a uma cooperação bilateral recente: Brasil e EUA anunciaram o Projeto MIT, parceria operacional entre a Receita Federal e o CBP para interceptar remessas ilícitas — iniciativa que pode ser tensionada pela reclassificação de facções brasileiras como organizações terroristas.
