Dois caças venezuelanos armados sobrevoaram o destróier americano USS Jason Dunham nesta quarta-feira (4), no sul do Caribe, durante uma operação dos EUA contra o tráfico internacional de drogas.
O Pentágono classificou a ação como uma tentativa de demonstração de força da Venezuela. Especialistas apontam que o envio de equipamentos militares americanos pode indicar preparação para intervenção militar.
O presidente Nicolás Maduro afirmou que a Venezuela responderá com luta armada se for atacada, enquanto os EUA reforçam presença militar na região.
Escalada militar e reações
A presença do USS Jason Dunham e outros navios americanos no sul do Caribe faz parte de uma operação contra o tráfico internacional de drogas, mas especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o aparato militar enviado é incompatível com esse objetivo. “Se você olhar o tipo de equipamento que foi enviado para a Venezuela, não é um equipamento de prevenção ou de ação contra o tráfico, ou contra cartéis”, afirmou o cientista político Carlos Gustavo Poggio, professor do Berea College, nos EUA.
Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, comparou a situação à recente movimentação militar dos EUA no Oriente Médio. “O volume de recursos militares que os Estados Unidos transferiram para o Oriente Médio naquela ocasião, e agora para o Caribe, são indicações de que eles estão falando sério”, disse.
No início da semana, Nicolás Maduro declarou que a Venezuela entrará em luta armada caso seja agredida pelos EUA. Ele classificou o envio das embarcações americanas como “a maior ameaça à América Latina do último século” e afirmou que o país não se curvará. “Se a Venezuela for atacada, passaria imediatamente ao período de luta armada em defesa do território nacional, da história e do povo venezuelano”, declarou.
Detalhes da operação dos EUA
Pelo menos sete navios americanos, incluindo um esquadrão anfíbio, 4.500 militares e um submarino nuclear, foram enviados ao sul do Caribe. Aviões espiões P-8 também sobrevoaram a região em águas internacionais.
A operação se baseia na acusação de que Nicolás Maduro lidera o suposto Cartel de los Soles, considerado organização terrorista pelos EUA. O governo americano oferece recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Maduro, considerado fugitivo da Justiça dos EUA.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, não comentou objetivos militares, mas afirmou que o governo Trump usará “toda a força” contra Maduro. Segundo o site Axios, Trump pediu um “menu de opções” sobre a Venezuela e autoridades americanas não descartam uma invasão futura.
Enquanto isso, Caracas mobiliza militares e milicianos para se defender de um possível ataque.