A possível filiação de Tarcísio de Freitas ao PL está atrelada à definição de sua candidatura em 2026, segundo aliados. Caso dispute a Presidência, ele deverá migrar do Republicanos para o PL. Se optar pela reeleição ao governo de São Paulo, tende a permanecer no partido atual, onde é considerado destaque e mantém distância de polêmicas envolvendo a família Bolsonaro.
O tema ganhou força após declarações de líderes partidários e movimentações nos bastidores políticos, refletindo a disputa interna da direita por espaço e protagonismo nas próximas eleições.
Cenários para 2026 e pressões partidárias
Aliados próximos de Tarcísio de Freitas afirmam que a decisão sobre sua filiação ao PL depende do caminho escolhido para 2026. Se for candidato à Presidência, a troca pelo PL é dada como certa. Já a permanência no Republicanos é vista como mais confortável caso busque a reeleição ao governo paulista, evitando aproximação direta com o clã Bolsonaro e mantendo sua posição de destaque no partido.
No estado, o PL comanda a Assembleia Legislativa, presidida por André do Prado, aliado de Tarcísio, mas sem secretários no governo estadual. A possibilidade de mudança de partido voltou à tona após Valdemar Costa Neto, presidente do PL, afirmar em evento que Tarcísio irá para o partido se disputar a Presidência. Em resposta, Marcos Pereira, presidente do Republicanos, sugeriu publicamente a candidatura de Tarcísio ao Planalto durante celebração dos 20 anos da legenda.
Aliados veem pressão do PL para a migração, motivada pela inelegibilidade de Bolsonaro. Oficialmente, a assessoria do governador reafirma sua permanência no Republicanos. Apesar de Tarcísio declarar foco na reeleição, ele tem adotado tom de presidenciável e intensificado críticas ao governo federal. Em evento recente, defendeu a redução de ministérios e criticou a política externa de Lula, sugerindo um governo de centro-direita com o lema “40 anos em 4”.
Durante reunião ministerial, o presidente Lula afirmou acreditar que Tarcísio será o candidato da oposição em 2026. Caso concorra à Presidência, o governador precisará deixar o cargo em abril do ano eleitoral. A decisão, segundo Valdemar, será tomada até dezembro.
Disputas e articulações para o cenário eleitoral paulista
As movimentações de Tarcísio e outros governadores de direita têm gerado desconforto no entorno de Bolsonaro. Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro, afirmou ao jornal “O Globo” que, se Tarcísio migrar para o PL, Eduardo deixará o partido para buscar candidatura presidencial em outra legenda. Carlos Bolsonaro criticou governadores de direita, acusando-os de querer herdar o espólio político de Bolsonaro.
Enquanto partidos discutem nomes para 2026, pesquisa Quaest divulgada em 22 de março aponta Tarcísio com 43% das intenções de voto para o governo de SP, seguido por Geraldo Alckmin (21%) e Erika Hilton (8%). Aliados defendem a reeleição do governador, argumentando que um segundo mandato fortaleceria sua futura candidatura presidencial, diferentemente de Zema, Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, que já cumpriram dois mandatos.
No PSB, aliados de Alckmin mantêm o foco na chapa Lula-Alckmin, mas não descartam sua candidatura ao Senado, destacando sua atuação no tarifaço. O PSOL aposta em Erika Hilton, valorizando sua postura combativa e defesa de pautas populares. A eleição para o Senado também mobiliza partidos, com nomes como Guilherme Derrite e Ricardo Salles cotados na direita, e Guilherme Boulos, Marina Silva, José Eduardo Cardozo, Fernando Haddad e Márcio França na esquerda.