Negociadores do governo brasileiro mantêm contato frequente com o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, desde o anúncio do tarifaço de 50% no início de julho.
Apesar de pelo menos quatro interações, Lutnick não apresentou contraproposta para aliviar a alíquota imposta ao Brasil.
O impasse envolve interesses das big techs e decisões do Supremo Tribunal Federal, dificultando avanços nas negociações.
Negociações travadas com os Estados Unidos
Desde o início de julho, quando foi anunciado o tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, representantes do governo mantêm conversas regulares com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. Essas interações incluem pelo menos quatro contatos por telefone ou mensagens. Segundo integrantes do governo, o principal entrave é a ausência de qualquer contraproposta por parte de Lutnick, impossibilitando avanços para negociar o alívio ou o fim da tarifa.
Os negociadores brasileiros reafirmam a disposição para discutir soluções econômicas, mas relatam que Lutnick atribui o impasse a interesses das big techs e questões políticas. Entre os fatores citados estão decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente a ampliação da responsabilização das redes sociais pelo conteúdo publicado e novas obrigações para atuação das gigantes de tecnologia no Brasil.
Além disso, o andamento do processo que investiga o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito também é apontado como elemento que complica o diálogo.
Estratégia de diversificação comercial
Diante do impasse com os Estados Unidos, o governo brasileiro, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, mantém a intenção de insistir no diálogo, mas também aposta em ampliar e diversificar parcerias comerciais. Nesta semana, Alckmin e outros ministros viajam ao México para negociar tarifas e buscar maior abertura comercial.
A agenda da comitiva começa na quarta-feira, com encontros com ministros e empresários mexicanos. Na quinta-feira, está prevista uma audiência com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, no Palácio Nacional. O objetivo central é incluir mais produtos brasileiros na lista de alíquota zero, especialmente alimentos como carnes, que tiveram exportações afetadas pelo tarifaço imposto pelos EUA.
A estratégia reflete o esforço do Brasil em fortalecer relações comerciais alternativas enquanto os Estados Unidos mantêm postura rígida e o comércio internacional permanece incerto.