Relatório da Polícia Federal detalha mensagens recuperadas dos celulares de Jair Bolsonaro e aliados, mostrando planos de Eduardo Bolsonaro e Silas Malafaia para tentar livrar o ex-presidente de ações penais. As conversas revelam articulações para burlar medidas judiciais, pedidos de apoio internacional e tentativas de influenciar ministros do STF e parlamentares.
Estratégias de comunicação e tentativas de burlar restrições
Segundo a Polícia Federal, quatro listas de transmissão foram identificadas no WhatsApp de Jair Bolsonaro, nomeadas como “Deputados”, “Senadores”, “Outros” e “Outros 2”. Essas listas permitiam o envio simultâneo de mensagens a diversos contatos, sem criar grupos, e eram usadas para ampliar o alcance das comunicações do ex-presidente. No dia 3 de agosto, durante manifestações, Bolsonaro orientou um deputado da Bahia a realizar uma chamada de vídeo com ele, evidenciando, para a PF, o uso de terceiros para contornar a proibição de uso de redes sociais imposta pelo Supremo Tribunal Federal.
O relatório também aponta indícios de que Eduardo Bolsonaro utilizou a conta bancária de sua esposa, Heloísa, para esconder recursos recebidos por Jair Bolsonaro, prática semelhante à empregada pelo ex-presidente com Michelle Bolsonaro.
Relações internacionais e apoio político
Bolsonaro manteve contato com Martin de Luca, advogado norte-americano representante da plataforma Rumble e da Trump Media & Technology Group, ligada a Donald Trump. Mensagens mostram que De Luca orientou Bolsonaro sobre a publicação de notas públicas e forneceu documentos relativos a ações contra o ministro Alexandre de Moraes. As conversas indicam articulação para alinhar discursos de perseguição política e buscar apoio internacional.
A PF indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro por tentativa de interferência em julgamentos relacionados à trama golpista. O pastor Silas Malafaia, apesar de não ter sido indiciado, teve celular e passaporte apreendidos. As mensagens recuperadas mostram tentativas de coagir ministros do STF e parlamentares para favorecer o ex-presidente, além de indícios de descumprimento de medidas cautelares e possível planejamento de fuga.
Detalhes das mensagens e conflitos internos
Pedido de asilo e articulações nos EUA
Entre as mensagens recuperadas, destaca-se um rascunho de pedido de asilo político na Argentina, endereçado ao presidente Javier Milei, onde Bolsonaro alega perseguição política e cita medidas cautelares impostas contra ele. Eduardo Bolsonaro, em mensagens ao pai, revela que o objetivo da anistia seria garantir a impunidade do ex-presidente no STF, e não apenas beneficiar os condenados do 8 de janeiro. Eduardo também sugeriu que Bolsonaro agradecesse publicamente a Donald Trump pelo aumento de tarifas sobre produtos brasileiros, buscando apoio político internacional.
Descumprimento de medidas e atuação de Malafaia
Após ter o celular apreendido, Bolsonaro ativou um novo aparelho e continuou produzindo e propagando mensagens em redes sociais, violando as restrições judiciais. Silas Malafaia incentivou Bolsonaro a descumprir essas medidas, sugerindo o disparo de vídeos e mobilização de deputados para apoiar manifestações pró-anistia. A atuação coordenada entre Malafaia, Bolsonaro e Eduardo foi confirmada pela perícia nas mensagens recuperadas, levando o ministro Alexandre de Moraes a autorizar busca e apreensão contra o pastor.
Troca de acusações e contatos proibidos
As conversas também revelam conflitos entre Eduardo Bolsonaro e o pai, com trocas de xingamentos após entrevistas sobre desentendimentos com o governador Tarcísio de Freitas. Em outro diálogo, Malafaia critica Eduardo, chamando-o de “babaca” e “inexperiente”, e elogia Flávio Bolsonaro por sua atuação em defesa da anistia. A PF também identificou contato proibido entre Bolsonaro e o ex-ministro Braga Netto, que enviou mensagem de emergência após restrições judiciais.
Em resposta ao indiciamento, Eduardo Bolsonaro afirmou que as mensagens mostram apenas “conversas normais entre pai, filho e seus aliados” e criticou a investigação da PF.