Estados Unidos e União Europeia assinaram nesta quinta-feira (21) um acordo comercial que estabelece tarifa de 15% sobre a maioria dos produtos europeus, incluindo carros, remédios, semicondutores e madeira.
A medida prevê redução das atuais tarifas de 27,5% sobre carros e peças automotivas, beneficiando montadoras, assim que a UE aprovar a legislação necessária.
O acordo também envolve investimentos bilionários em gás, petróleo, energia nuclear e chips de inteligência artificial dos EUA pela UE.
Detalhes do acordo comercial
O pacto, fechado no mês passado e oficializado em 21 de setembro, determina que os Estados Unidos reduzirão as tarifas sobre carros e peças automotivas provenientes da União Europeia assim que Bruxelas aprovar uma lei que garante os cortes prometidos para produtos americanos. Segundo a declaração conjunta, a redução das tarifas começará a valer no mesmo mês em que a legislação for aprovada, podendo ter efeito retroativo. No entanto, ainda não há uma data definida para o início do processo em Bruxelas.
A partir de 1º de setembro, os EUA passarão a aplicar apenas as tarifas padrão da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre aviões e peças da UE, remédios genéricos, insumos químicos e recursos naturais como a cortiça. O acordo também estabelece que ambos os lados vão negociar regras de origem para garantir que os benefícios do pacto fiquem principalmente entre eles.
Investimentos e compromissos mútuos
A União Europeia reafirmou o compromisso de comprar US$ 750 bilhões em gás natural liquefeito, petróleo e energia nuclear dos EUA, além de US$ 40 bilhões em chips de inteligência artificial americanos. O bloco europeu também planeja investir mais US$ 600 bilhões em setores estratégicos dos EUA até 2028.
Além disso, os dois lados se comprometeram a reduzir barreiras digitais consideradas “injustas” e a UE prometeu não criar taxas pelo uso de rede.
Repercussões e próximos passos
O acordo representa um alívio para as montadoras europeias e americanas, que poderão se beneficiar da redução das tarifas sobre automóveis e peças. A expectativa é que a medida estimule o comércio bilateral e fortaleça cadeias de fornecimento entre os dois blocos.
Segundo a declaração conjunta, os dois lados também vão avaliar formas de proteger seus mercados de aço e alumínio contra excesso de produção, mantendo cadeias de fornecimento seguras por meio de cotas tarifárias. O compromisso de negociar regras de origem busca garantir que os ganhos do acordo permaneçam entre EUA e UE.
Apesar do otimismo, ainda resta a definição de prazos para a aprovação das legislações necessárias em Bruxelas, o que pode impactar o início efetivo das reduções tarifárias. O acompanhamento das próximas etapas será fundamental para avaliar os resultados práticos do pacto.