Integrantes do centrão passaram a defender uma aliança entre Tarcísio Gomes de Freitas e Ciro Gomes para a eleição presidencial de 2026.
A proposta surge após a crise do tarifaço e o indiciamento de Bolsonaro, que dificultam a presença da família na chapa.
Ciro, atualmente no PDT, é visto como nome capaz de ampliar o alcance da chapa no Nordeste, enquanto negocia apoio com outros partidos.
Nos últimos dias, lideranças do centrão, incluindo figuras do União Brasil, passaram a defender uma chapa presidencial formada por Tarcísio Gomes de Freitas, governador de São Paulo pelo Republicanos, e Ciro Gomes, atualmente filiado ao PDT, para a eleição de 2026. O movimento ocorre em meio à crise do tarifaço, que, segundo avaliação dessas lideranças, distancia a família Bolsonaro da disputa presidencial.
O PDT, partido de Ciro, integra a base aliada do presidente Lula e comanda o Ministério da Previdência Social. Apesar disso, há articulações para que Ciro dispute o governo do Ceará com apoio do centrão e, posteriormente, se filie ao União Brasil para compor a chapa com Tarcísio. Dentro do PP, há resistência, pois parte do partido defende Ciro Nogueira como vice.
Ciro Gomes também tem mantido conversas com o PSDB em busca de apoios para 2026. A avaliação é que a presença de Ciro na chapa fortaleceria Tarcísio no Nordeste, região estratégica para a eleição.
Crise Bolsonaro e rejeição nas pesquisas
Na noite de quarta-feira (20), a Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado Eduardo Bolsonaro por coação de autoridades, no âmbito de investigações sobre pressão a ministros do Supremo Tribunal Federal. O episódio ampliou o desgaste político da família Bolsonaro e reforçou a percepção de que sua participação em uma chapa em 2026 é improvável.
Segundo pesquisa Quaest divulgada na quinta-feira (21), Lula lidera as intenções de voto em cenário sem Bolsonaro, com 32%. Tarcísio aparece em segundo, com 17%, e Ciro Gomes em terceiro, com 11%. Em rejeição, Bolsonaro lidera com 57%, seguido por Flávio Bolsonaro (55%), Lula (51%), Ciro (50%) e Tarcísio (39%).
A movimentação do centrão reflete um cenário político em transformação, marcado pelo enfraquecimento da influência da família Bolsonaro após o indiciamento e a crise do tarifaço. Apesar da pressão de aliados mais radicais para manter um membro da família na chapa, a tendência é de busca por alternativas que ampliem o espectro eleitoral e reduzam índices de rejeição.
Ciro Gomes, que participou recentemente de evento do PP e União Brasil, busca consolidar apoios para 2026. O plano do centrão envolve apoiar sua candidatura ao governo do Ceará, facilitando uma posterior filiação ao União Brasil para disputar a vice-presidência. As conversas com o PSDB também indicam a tentativa de ampliar alianças e garantir maior capilaridade nacional.
A estratégia visa fortalecer a posição de Tarcísio no Nordeste, região onde Ciro tem influência, e criar uma chapa competitiva diante do cenário de alta rejeição dos principais nomes tradicionais. O desfecho dessas articulações deve depender do avanço das investigações e do ambiente político nos próximos meses.