O governo argentino declarou que ainda não recebeu oficialmente o pedido de asilo de Jair Bolsonaro, encontrado pela Polícia Federal em seu celular. A confirmação veio após questionamento ao governo de Javier Milei, que respondeu: “Ainda não”.
A Polícia Federal indiciou Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, por suspeita de coação no curso do processo sobre tentativa de golpe de Estado.
Detalhes da investigação da Polícia Federal
Durante as investigações, a Polícia Federal localizou mensagens de Jair Bolsonaro planejando um pedido de asilo político na Argentina. No smartphone do ex-presidente, foi encontrado um arquivo editável, sem data e assinatura, solicitando asilo político em regime de urgência. Segundo a PF, o conteúdo do documento indica que Bolsonaro, desde fevereiro de 2024, planejava deixar o país para evitar a aplicação da lei penal.
O relatório da PF detalha ainda que áudios e conversas apagadas com Malafaia e Eduardo Bolsonaro foram extraídos do celular de Jair Bolsonaro. Esses registros, segundo os investigadores, reforçam as tentativas de intimidar autoridades brasileiras e dificultar as investigações sobre a trama golpista.
De acordo com o documento da PF, “as mensagens demonstram que as sanções articuladas dolosamente pelos investigados foram direcionadas para coagir autoridades judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF) que atuam no julgamento da AP n° 2668-STF, com a finalidade de favorecer interesse próprio, qual a seja, impedir eventual condenação criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro e demais réus”.
Documento criado por ‘Fernanda Bolsonaro’
O relatório da Polícia Federal revela que o arquivo de 33 páginas foi criado e editado por um usuário identificado como “Fernanda Bolsonaro”, possivelmente Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, nora do ex-presidente e esposa do senador Flavio Nantes Bolsonaro.
Cerca de dois meses antes da última edição do documento, em 5 de dezembro de 2023, Bolsonaro comunicou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que viajaria para a Argentina entre 7 e 11 de dezembro. A PF destaca que os elementos informativos encontrados indicam que o ex-presidente tinha em sua posse documento que poderia viabilizar sua saída do Brasil para a Argentina, especialmente após a deflagração da investigação.
Mandado contra Silas Malafaia e contexto da apuração
O relatório da PF entregue ao STF também resultou em medidas contra o pastor Silas Malafaia, incluindo busca, apreensão e retenção de passaporte. Agentes cumpriram mandado de busca pessoal, apreendendo celular e outros materiais. Malafaia retornou ao Brasil vindo de Lisboa e foi conduzido para prestar depoimento à PF.
A investigação foi aberta em maio, a pedido da Procuradoria-Geral da República, após indícios de que Eduardo Bolsonaro buscava sanções contra ministros do STF junto ao governo dos Estados Unidos. O caso motivou a abertura de investigação contra Jair Bolsonaro, que já cumpre prisão domiciliar por descumprimento de ordens judiciais. Em julho, o ministro Alexandre de Moraes prorrogou a apuração por mais 60 dias, ressaltando a necessidade de novas diligências.