Eduardo Bolsonaro enviou mensagem ao pai, Jair Bolsonaro, afirmando que os Estados Unidos deixariam de ajudar caso a “anistia light” fosse aprovada. O diálogo foi obtido pela Polícia Federal e integra o pedido de indiciamento dos dois por coação a autoridades, relacionado à ação penal do golpe de Estado.
As mensagens, recuperadas do celular de Bolsonaro, datam de 7 de julho de 2025 e fazem parte das investigações sobre tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Investigação da Polícia Federal e atuação de aliados
Durante as investigações, a Polícia Federal identificou intensa atividade de Jair Bolsonaro na produção e disseminação de mensagens em redes sociais, mesmo após determinação judicial que o proibia de utilizar suas contas ou as de terceiros, como filhos e aliados. A análise de backups revelou que, menos de uma hora após ativar um novo celular em 25 de julho de 2025, o pastor Silas Lima Malafaia enviou instruções para Bolsonaro disparar vídeos em horários específicos, orientando: “ATENÇÃO! Dispara esse vídeo às 12h” e “Se você se sente participante desse vídeo, compartilhe. Não podemos nos calar!”.
O relatório da PF aponta que Malafaia sugeriu ao ex-presidente como deveria ser o discurso sobre o tarifaço dos EUA para pressionar o Supremo Tribunal Federal, afirmando: “Eles se caqão (sic)”, segundo a polícia. O pastor foi alvo de buscas, apreensão e teve o passaporte retido, além de ter sido levado para depor.
Atuação internacional e coação
Sobre Eduardo Bolsonaro, o relatório descreve que o parlamentar passou a publicar conteúdos em inglês em suas redes sociais, com o objetivo de alcançar o público internacional e interferir no andamento da Ação Penal 2668/DF, além de coagir autoridades públicas brasileiras.
Desdobramentos e contexto político
O indiciamento de Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro por coação a autoridades marca mais um capítulo nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O relatório entregue ao Supremo Tribunal Federal detalha a atuação coordenada de aliados, como o pastor Silas Malafaia, que teria instigado Bolsonaro a descumprir ordens judiciais e sugerido estratégias para pressionar o STF.
As mensagens trocadas entre Eduardo e Jair Bolsonaro reforçam a preocupação com a repercussão internacional dos fatos, especialmente em relação ao apoio dos Estados Unidos. O caso segue em análise pelo STF, com possíveis novos desdobramentos envolvendo outros aliados e o aprofundamento das investigações sobre articulações para influenciar o cenário político e institucional brasileiro.