Nos últimos quatro anos, a chegada da internet em áreas rurais revolucionou a vida de agricultores brasileiros. A conectividade permitiu acesso a informações em tempo real, facilitou a gestão das propriedades e integrou novas tecnologias ao campo.
Além dos drones, a internet trouxe aplicativos, monitoramento remoto e capacitação, impulsionando a produtividade e a sustentabilidade no agronegócio. Projetos como o Semear Digital e programas federais buscam ampliar ainda mais o acesso e os benefícios da tecnologia para o campo.
Transformação digital no campo
A presença da internet nas áreas rurais permitiu que produtores acompanhassem previsões climáticas precisas, consultassem cotações de mercado e utilizassem aplicativos para controle de pragas e doenças. Essa digitalização aumentou a produtividade e a sustentabilidade das atividades agrícolas. O uso de drones, por exemplo, evoluiu da simples observação para a integração com sistemas de gestão e análise de dados, otimizando o uso de recursos naturais.
Apesar dos avanços, desafios persistem, como a ampliação da conectividade em regiões remotas e a capacitação dos agricultores para o uso dessas ferramentas. Segundo o IBGE, em 2024, 15% dos domicílios rurais ainda não tinham acesso à internet, e apenas 52% contavam com conexão 4G ou 5G. A qualidade do serviço segue sendo um obstáculo para a plena adoção tecnológica.
Expansão de agtechs e iniciativas
O cenário de inovação é impulsionado pelo crescimento das agtechs, startups que oferecem soluções tecnológicas para o agronegócio. Entre 2019 e 2024, o número dessas empresas cresceu mais de 75%, segundo a pesquisa Radar Agtech Brasil 2024. Elas atuam em três frentes: antes da fazenda (18,6%), dentro da fazenda (41,5%) e depois da fazenda (39,9%).
Projetos como o Semear Digital, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e o programa federal Rural + Conectado buscam expandir a conectividade. O Semear Digital, por exemplo, já beneficiou cidades como Caconde (SP), levando internet via rádio e promovendo treinamentos para agricultores.
Impactos práticos e exemplos
Em Caconde, a chegada da internet permitiu a instalação de uma fábrica de defensivos biológicos e o uso de drones para pulverização em áreas de relevo acidentado. O presidente do Sindicato Rural local, Ademar Pereira, relatou que o uso do drone facilitou o controle de pragas e melhorou a qualidade do café, além de reduzir a exposição dos trabalhadores a produtos tóxicos.
O projeto também levou aplicativos gratuitos desenvolvidos pela Embrapa para auxiliar na piscicultura e pecuária leiteira. Tiago Oliveira, criador de tilápias, destacou que o aplicativo “Aquicultura Certa” oferece orientações valiosas para o manejo dos peixes, mesmo sem a presença constante de um técnico.
A conectividade trouxe ainda mais segurança ao campo. Após instalar câmeras monitoradas remotamente, Tiago relatou o fim dos roubos em sua propriedade. A internet também é crucial no combate a incêndios, permitindo mobilização rápida dos grupos de combate.
Perspectivas e expansão regional
O Semear Digital planeja expansão para países do Cone Sul, como Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, a partir de 2026. No Brasil, o projeto busca ampliar sua atuação, especialmente no Nordeste. O programa Rural + Conectado, por sua vez, anunciou em 2023 uma linha de crédito de R$ 1,2 bilhão para melhorar a infraestrutura de internet em mais de dois mil pontos no Norte e Nordeste.