A tecnologia está revolucionando o campo brasileiro, com soluções que vão de drones para pulverização e contagem de rebanho até aplicativos que orientam produtores rurais. Projetos como o Semear Digital, liderado pela Embrapa, levam conectividade a regiões como Caconde (SP), tornando a agricultura mais eficiente e segura. Apesar do avanço, apenas 35% das áreas produtivas têm acesso a 4G ou 5G, o que ainda limita o uso das inovações.
Expansão das agtechs e inovação no campo
O estudo Radar Agtech Brasil 2024, realizado pela Embrapa, Homo Ludens e SP Ventures, mostra que o número de startups de tecnologia agrícola cresceu mais de 75% desde 2019. Essas empresas se dividem em três grupos: antes da fazenda (18,6%), com foco em insumos e máquinas; dentro da fazenda (41,5%), atuando em monitoramento e controle de insumos; e depois da fazenda (39,9%), voltadas para logística e comercialização.
Em Caconde, no interior de São Paulo, o relevo íngreme das lavouras de café dificultava a pulverização manual. A chegada de um drone especializado, trazido pelo projeto Semear Digital, solucionou o problema, permitindo a aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes em áreas de difícil acesso. O equipamento, que custou R$ 135 mil, é compartilhado entre produtores e contribuiu para melhorar a qualidade do café e reduzir a exposição dos trabalhadores a produtos tóxicos.
Drones e inteligência artificial
Pesquisadores da Embrapa Agricultura Digital, em Campinas, desenvolveram um drone equipado com câmera e inteligência artificial para contar rebanhos. Segundo Jayme Barbedo, líder do estudo, a tecnologia ajuda pecuaristas a monitorar animais e evitar perdas por roubo ou morte. O sistema, em fase final de desenvolvimento, deve ainda identificar o estado de saúde e medidas corporais dos animais, auxiliando na gestão da produção.
Aplicativos e conectividade ampliam eficiência e segurança
O Semear Digital também oferece aplicativos gratuitos para Android, como o “Aquicultura Certa” para piscicultura e o “Roda da Reprodução” para pecuária leiteira. Os sistemas orientam produtores a partir de dados inseridos sobre os animais, auxiliando na tomada de decisões mesmo sem a presença diária de técnicos. Tiago Oliveira, criador de tilápias, destaca que o aplicativo e a internet melhoraram o monitoramento e a segurança em sua propriedade, onde as perdas por roubo chegavam a R$ 20 mil por gaiola antes da instalação de câmeras conectadas.
A conectividade é fundamental para mobilizar grupos de combate a incêndios e ampliar o acesso dos produtores a mercados e serviços bancários. Segundo o IBGE, em 2024, 15% dos domicílios rurais ainda não tinham acesso à internet, e apenas 52% contavam com conexão 4G ou 5G. O Semear Digital escolhe cidades beneficiadas com base em mais de 34 indicadores, como IDH e nível de conectividade, e adapta a tecnologia conforme as características locais, como uso de rádio em Caconde e satélite na ilha do Marajó.
Mais da metade das quase 2.500 pequenas propriedades de Caconde já têm acesso à internet, ampliando a adoção de tecnologias e a participação dos produtores no mercado digital.