A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu a bandeira tarifária amarela para maio de 2026, anunciando o fim de um ciclo de quatro meses consecutivos no verde. A mudança, comunicada nesta sexta-feira (24), representa um custo extra de R$ 1,88 a cada 100 kWh consumidos na fatura de luz.
O gatilho é a redução nos índices de chuva, que pressiona os reservatórios das usinas hidrelétricas e obriga o acionamento de termelétricas — geradoras mais caras e cujo custo é repassado diretamente ao consumidor via sistema de bandeiras.
Por que a bandeira mudou agora?
De janeiro a abril, os reservatórios das hidrelétricas registraram níveis considerados satisfatórios, mantendo a bandeira verde — situação em que não há cobrança adicional na tarifa. Com o recuo das chuvas, o cenário mudou.
Quando as hidrelétricas não conseguem suprir sozinhas a demanda, o sistema elétrico aciona as usinas termelétricas. Essas plantas geram energia a custo mais elevado, e o sistema de bandeiras tarifárias existe justamente para sinalizar e custear esse esforço extra.
A lógica de cores segue uma escala crescente de custo: verde (sem adicional), amarela (R$ 1,88/100 kWh), vermelha patamar 1 e vermelha patamar 2 — as duas últimas com taxas ainda mais altas.
Em nota, a Aneel pediu que “os consumidores cultivem bons hábitos de consumo para evitar desperdícios e contribuir para a sustentabilidade do setor elétrico.”
Pressão acumulada na conta de luz
A mudança de bandeira chega um dia depois de a Aneel aprovar reajustes de até 15% para oito distribuidoras — sinalizando que a pressão na conta de luz deve se acumular ao longo do ano. Saiba mais sobre os reajustes aprovados para 22 milhões de consumidores.
A combinação de tarifa base mais alta com a ativação da bandeira amarela reforça o alerta para famílias e empresas reverem o consumo em maio. Ar-condicionado, chuveiro elétrico e eletrodomésticos de alto consumo são os principais alvos de eficiência energética.
O monitoramento das condições hidrológicas é contínuo, e a Aneel pode revisar a classificação a cada mês conforme a evolução dos reservatórios e do regime de chuvas no país.
