A tecnologia de rastreamento com chip em bovinos está sendo usada para monitorar a origem da carne e combater o desmatamento ilegal no Brasil.
O dispositivo eletrônico implantado nos animais permite acompanhar o percurso desde a fazenda até o abate, trazendo mais transparência à cadeia produtiva.
Apesar dos benefícios ambientais e para o consumidor, a adoção enfrenta desafios como custos elevados e falta de políticas públicas de incentivo.
Como funciona a identificação eletrônica em bovinos
O chip, implantado na orelha do animal, registra toda a trajetória do boi, desde o nascimento até o abate. Essa tecnologia permite rastrear a procedência da carne, garantindo maior controle sobre a cadeia produtiva e ajudando a assegurar que o produto não esteja ligado a áreas de desmatamento ilegal.
O sistema de identificação eletrônica tem potencial para promover práticas mais sustentáveis na pecuária, pois oferece transparência e permite ao consumidor optar por produtos que respeitam o meio ambiente.
Desafios na implementação
Apesar dos avanços, a adoção do chip enfrenta obstáculos como o custo da tecnologia e a necessidade de fiscalização eficiente. Os pecuaristas reivindicam políticas públicas que ofereçam incentivos e estrutura para viabilizar a técnica em larga escala.
Atualmente, a maior parte dos frigoríficos realiza monitoramento apenas dos fornecedores diretos, o que limita o controle sobre as etapas iniciais da cadeia, como a cria e a recria dos animais.
Contexto histórico e iniciativas privadas
Em 2009, o Greenpeace publicou o relatório “Farra do boi na Amazônia”, denunciando empresas que compravam gado de áreas desmatadas ilegalmente. Isso resultou em boicotes de grandes redes de supermercados e marcas internacionais. Como resposta, frigoríficos da Amazônia assinaram Termos de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público Federal, comprometendo-se a não adquirir bois de áreas irregulares, na chamada Carne Legal.
Apesar dessas iniciativas, ainda há gargalos: muitas vezes, bois criados em áreas ilegais são transferidos para fazendas regulares antes do abate, dificultando o rastreamento completo.
Experiência no Pará e pressão internacional
O g1 visitou uma fazenda em Rio Maria, no Pará, onde um projeto-piloto de rastreamento com chip foi implementado há dois anos. O pecuarista Roberto Paulinelli, dono do Frigorífico Rio Maria, destaca a importância da tecnologia para garantir a sobrevivência do negócio diante das exigências do mercado internacional. Países como a União Europeia aprovaram leis que proíbem a importação de produtos provenientes de áreas desmatadas, aumentando a pressão sobre o setor pecuário brasileiro.