O exército de Israel afirmou neste domingo (10) que matou o jornalista da Al Jazeera Anas Al Sharif durante um ataque na Cidade de Gaza. Os militares alegam que Al Sharif liderava uma célula do grupo Hamas. Outros três profissionais da emissora também morreram no ataque, segundo a Al Jazeera.
Acusações e resposta da Al Jazeera
De acordo com comunicado oficial, o exército israelense declarou: “Anas Al-Sharif atuou como chefe de uma célula terrorista na organização terrorista Hamas e foi responsável por promover ataques de foguetes contra civis israelenses e tropas das IDF [Forças de Defesa de Israel]”. A emissora informou que Al-Sharif tinha 28 anos e cobria o norte de Gaza. Não há informações sobre a idade das demais vítimas.
Além de Anas Al Sharif, morreram o jornalista Mohammed Qreiqeh e os cinegrafistas Ibrahim Zaher e Mohammed Noufal. Segundo relatos da Al Jazeera, eles estavam em uma tenda para jornalistas em frente a um hospital no momento do ataque.
A emissora afirmou ter denunciado recentemente o exército israelense por uma “campanha de incitação” contra seus repórteres na Faixa de Gaza, destacando especialmente Al Sharif.
Histórico de acusações e documentos divulgados
Em julho, o porta-voz do exército israelense, Avichai Adraee, publicou um vídeo nas redes sociais acusando Al Sharif de integrar a ala militar do Hamas, alegação que a Al Jazeera nega. Em outubro de 2024, as Forças de Israel acusaram seis jornalistas da emissora de serem afiliados ao Hamas e à Jihad Islâmica, incluindo Al Sharif, com divulgação de documentos supostamente encontrados em Gaza.
Segundo Israel, os documentos apresentados incluíam tabelas de pessoal, listas de cursos de treinamento, listas telefônicas e documentos de salários para terroristas, servindo como prova da integração de membros do Hamas na rede de mídia da Al Jazeera. Foram divulgados ainda dados como número e data de afiliação, cargos e fotos dos profissionais em reportagens nas frentes de batalha.
Após a divulgação das acusações, a Al Jazeera negou veementemente qualquer ligação de seus profissionais com grupos extremistas, classificando a ação israelense como “tentativa de silenciar jornalistas”.