Um ataque israelense ao hospital Nasser, em Khan Younis, sul da Faixa de Gaza, matou pelo menos 20 pessoas, incluindo cinco jornalistas, na segunda-feira (25). O hospital foi atingido por dois mísseis em sequência, em uma ação conhecida como “double tap”. O governo israelense alegou que havia uma câmera do Hamas no local, enquanto entidades internacionais condenaram o episódio.
Dinâmica do ataque e alegações israelenses
O hospital Nasser, único em funcionamento em Khan Younis, foi alvo de dois bombardeios consecutivos. Testemunhas relataram à Reuters que a segunda explosão ocorreu quando equipes de resgate e jornalistas já estavam no local, ampliando o número de vítimas. O Ministério da Saúde local, controlado pelo Hamas, confirmou 20 mortos e diversos feridos, incluindo cinco jornalistas de veículos como Reuters, Associated Press e Al Jazeera.
Segundo relatório israelense, militares identificaram uma câmera posicionada pelo Hamas no hospital para monitorar tropas. O Exército de Israel confirmou o bombardeio, lamentou “qualquer ferimento entre pessoas não envolvidas” e afirmou não ter intenção de atingir jornalistas. “As Forças de Defesa de Israel não miram civis”, declarou um porta-voz. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu classificou o caso como “acidente trágico”.
Registros em vídeo e contexto do conflito
Imagens feitas por jornalistas mostram o momento do segundo ataque, interrompidas por uma nuvem de poeira. O hospital é o maior da região e, segundo a Defesa Civil de Gaza, esta foi a 26ª vez que equipes de resgate são atingidas durante operações.
Repercussão internacional e impacto na imprensa
A morte dos jornalistas gerou forte reação internacional. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou “não estar feliz” com o ataque e pediu acordo para libertação de reféns israelenses. Emmanuel Macron, presidente da França, classificou o episódio como “intolerável” e defendeu a liberdade de imprensa em zonas de conflito.
Representantes da ONU, como a porta-voz Stephane Dujarric, transmitiram a indignação do secretário-geral António Guterres, que condenou veementemente o assassinato de civis, profissionais de saúde e jornalistas. O Comitê para a Proteção de Jornalistas e a Associação de Imprensa Estrangeira exigiram responsabilização e explicações imediatas.
Jornalistas mortos e restrições à cobertura
Entre os mortos estavam freelancers da Reuters, Associated Press e Al Jazeera. Israel não permite a entrada de repórteres estrangeiros em Gaza, levando veículos internacionais a contratarem jornalistas palestinos. A Reuters lamentou a morte de Hussam al-Masri e informou que Hatem Khaled ficou ferido. Desde outubro de 2023, mais de 240 jornalistas palestinos foram mortos, segundo o Sindicato dos Jornalistas Palestinos.
O ataque coincide com a intensificação da ofensiva israelense, incluindo operações terrestres e movimentação de tanques na fronteira. Em agosto, outros seis profissionais da Al Jazeera morreram em ataques israelenses, em meio a acusações de ligação com o Hamas, negadas pelo veículo.