Nas últimas três semanas, o governo americano elevou o tom das críticas ao ministro Alexandre de Moraes nas redes sociais. Autoridades dos Estados Unidos publicaram mensagens com ameaças, sanções e ataques a Moraes e seus aliados, republicadas pela Embaixada dos EUA no Brasil.
As críticas se intensificaram a partir de 14 de julho, com publicações de secretários de Estado e outros representantes, incluindo sanções sob o programa Global Magnitsky. O episódio marca uma escalada sem precedentes nas relações diplomáticas entre os países.
Escalada das críticas e sanções
A partir de 14 de julho, autoridades americanas, como Darren Beattie e Marco Rubio, passaram a emitir declarações públicas contra Alexandre de Moraes. Em 14 de julho, Beattie afirmou que o presidente Trump enviou carta impondo consequências ao Supremo Tribunal Federal de Moraes e ao governo Lula, criticando ataques à liberdade de expressão e ao comércio americano.
Em 18 de julho, Marco Rubio declarou que a administração Trump responsabilizaria estrangeiros por censura, acusando Moraes de promover uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro e ordenando a revogação dos vistos de Moraes, aliados e familiares.
No dia 24, Beattie reforçou que Moraes é o “coração pulsante” do complexo de perseguição e censura contra Bolsonaro, destacando a atenção das autoridades americanas ao tema.
Em 30 de julho, Rubio anunciou sanções ao ministro sob o programa Global Magnitsky por graves abusos aos direitos humanos, alertando outros agentes públicos. Beattie também destacou que Moraes seria o principal arquiteto do complexo de censura no Brasil. A Secretaria de Assuntos do Hemisfério Ocidental afirmou que os EUA usariam todos os instrumentos diplomáticos e legais para enfrentar atores estrangeiros malignos.
Repercussão e desdobramentos
Em 4 de agosto, Christopher Landau comentou que autoridades públicas devem estar preparadas para críticas, sugerindo que Moraes não aceita esse princípio. Landau criticou a decisão de Moraes de colocar Bolsonaro em prisão domiciliar e privá-lo de acesso a celular, classificando a ação como “impulsos orwellianos” e acusando o ministro de arrastar o país para uma “ditadura judicial”.
Nesse mesmo dia, a Secretaria de Assuntos do Hemisfério Ocidental reforçou que Moraes já havia sido sancionado pelos EUA e continuava a usar as instituições brasileiras para silenciar a oposição, condenando a ordem de prisão domiciliar de Bolsonaro e prometendo responsabilizar quem colaborasse com tais condutas.
Em 6 de agosto, Beattie voltou a afirmar que Moraes é o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição, lembrando as sanções impostas sob a Lei Global Magnitsky e alertando aliados do ministro a não colaborarem com seu comportamento. Ele enfatizou que a situação está sendo monitorada de perto pelas autoridades americanas.