Mais da metade dos produtos exportados do Brasil para os Estados Unidos sofrerão uma sobretaxa de 50% a partir de 2025, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria divulgado nesta quinta-feira (7).
A medida, imposta pelo governo americano, preocupa empresários brasileiros, que alertam para perdas de competitividade e aumento de custos.
O governo brasileiro avalia alternativas para mitigar os impactos, incluindo negociações diplomáticas e incentivos aos setores afetados.
Impactos nas exportações brasileiras
A nova tarifa dos Estados Unidos deve afetar principalmente os setores agrícola e industrial, que compõem a maior parte das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Conforme a CNI, 41,4% da pauta exportadora brasileira aos EUA, abrangendo 7.691 produtos, estará sujeita à tarifa combinada de 50%.
Esse percentual resulta da soma dos 10% iniciais mais os 40% de sobretaxa anunciados recentemente pelo presidente Donald Trump. Em 2024, a exportação desses bens atingiu US$ 17,5 bilhões. A indústria de transformação, principal segmento exportador, representa 69,9% desse valor, com 7.184 produtos afetados, totalizando US$ 12,3 bilhões em 2023.
Setores mais atingidos
Entre os setores com maior número de produtos afetados estão vestuário e acessórios (14,6%), máquinas e equipamentos (11,2%), produtos têxteis (10,4%), alimentos (9,0%), químicos (8,7%) e couro e calçados (5,7%).
Além disso, aço, alumínio e cobre, já sobretaxados pela Seção 232, representam 9,3% da pauta e enfrentarão tarifa adicional de 50%. Juntos, esses setores somam 50,7% das exportações brasileiras para os EUA.
Segundo a CNI, aço e alumínio têm participação de 8,7%, veículos e autopeças 3%, e cobre 0,6%.
Ricardo Alban, presidente da CNI, afirmou: “Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar e o quanto vamos precisar avançar nas negociações para reverter essas barreiras. É um trabalho que precisa envolver governos e os setores produtivos. Os EUA são os principais parceiros comerciais da indústria, precisamos encontrar saídas.”
Reação do setor empresarial e medidas do governo
Empresários e associações comerciais manifestaram preocupação com as medidas, destacando possíveis perdas de competitividade e aumento dos custos para os exportadores brasileiros.
Os setores afetados já calculam prejuízos e buscam atenuar o impacto com pedidos ao governo federal.
A CNI solicitou ao governo brasileiro ações como linhas de crédito subsidiadas, aumento do prazo para liquidação de contratos de câmbio, aplicação do direito provisório de dumping, adiamento no pagamento de tributos federais e reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE).
Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, encaminhou ao Palácio do Planalto propostas de proteção aos setores atingidos pelo tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump. O anúncio das medidas caberá ao Palácio do Planalto, que estuda dividir as ações em etapas, ajustando-as conforme o impacto em cada setor e empresa.