O JPMorgan Chase avaliou que as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros, que entram em vigor nesta quarta-feira (6), devem se manter mesmo após o mandato de Donald Trump.
O relatório destaca que as taxas, consideradas essenciais para a indústria americana, são pouco prováveis de serem revertidas, afetando setores estratégicos como semicondutores e defesa.
O decreto assinado por Trump eleva as tarifas a 50%, com exceções, e atinge especialmente pequenas e médias empresas exportadoras do Brasil.
Impacto das tarifas e visão do JPMorgan
Segundo relatório do Centro de Geopolítica do JPMorgan Chase, a tarifa efetiva sobre importações dos EUA ficará próxima de 22%. O documento aponta que as taxas sobre setores sensíveis e ligados à segurança nacional devem permanecer, pois são vistas como fundamentais para fortalecer a base industrial americana.
O relatório destaca que, mesmo com mudanças políticas, é improvável que os EUA retornem ao modelo de tarifas baixas e acordos de livre comércio amplos. “Seria um erro supor que os Estados Unidos retornarão a uma era de tarifas baixas e de busca por acordos abrangentes de livre comércio”, afirma o texto.
Além disso, o JPMorganChase Institute estimou que a implementação de tarifas universais completas pode gerar até US$ 187,7 bilhões em custos diretos de importação para empresas de médio porte, valor mais de seis vezes superior ao das tarifas anteriores previstas para o início de 2025.
O relatório também sugere que, com o tempo, empresas podem recalibrar seus investimentos, tornando improvável um retorno ao regime anterior.
Reação e consequências para o Brasil
As tarifas de 50% impostas pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros começaram a valer nesta quarta-feira (6), tornando parte dos produtos do Brasil sujeitos à mais alta taxa do mundo para entrar nos EUA.
O decreto assinado em 30 de maio prevê exceções para itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos, peças, fertilizantes e produtos energéticos. Segundo a Casa Branca, a medida foi adotada em resposta a ações do governo brasileiro consideradas ameaça à segurança nacional e à política externa dos EUA.
A ordem executiva cita perseguição política e censura contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores como justificativa, classificando essas ações como graves abusos de direitos humanos e enfraquecimento do Estado de Direito no Brasil.
As novas taxas afetam exportadores de todos os portes, mas impactam mais fortemente micro e pequenas empresas, que representam 40% das exportadoras brasileiras, segundo o Sebrae. Esses empreendedores já enfrentam pedidos suspensos, negociações travadas e clientes cautelosos diante do novo cenário.