O governo da China reiterou seu apoio ao Brasil frente às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos, que entram em vigor nesta quarta-feira (6). Wang Yi, representante do ministério das relações exteriores chinês, declarou que o país se opõe à “interferência externa irracional” nos assuntos internos brasileiros, sem mencionar diretamente os EUA.
A posição chinesa ocorre em meio à própria disputa tarifária entre China e Estados Unidos, que resultou recentemente em um acordo para redução de tarifas sobre produtos de ambos os países.
Disputa tarifária internacional
Em julho, a China já havia expressado apoio ao Brasil, afirmando que tarifas “não deveriam ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência”. A nova manifestação ocorre após o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas de 50% a produtos brasileiros, medida que passa a valer nesta quarta-feira (6).
O posicionamento chinês foi comunicado por Wang Yi, do ministério das relações exteriores, que reforçou a oposição de Pequim à interferência externa nos assuntos internos de outros países. Embora não tenha citado diretamente os EUA, a fala foi interpretada como uma crítica às recentes ações do governo norte-americano.
Batalha comercial entre China e EUA
O contexto da manifestação chinesa inclui também a própria disputa comercial entre Pequim e Washington. No início do ano, os EUA anunciaram aumento de tarifas para produtos de diversos países, incluindo uma taxa de 34% sobre itens chineses. Em resposta, a China elevou impostos sobre produtos norte-americanos, desencadeando uma série de retaliações mútuas.
As tarifas chegaram a 145% para produtos chineses nos EUA e 125% para bens norte-americanos na China. Após meses de escalada, em maio, os dois países chegaram a um acordo: as tarifas para produtos chineses nos EUA foram reduzidas para 30%, enquanto as taxas para produtos norte-americanos na China caíram para 10%.
A postura da China em defesa do Brasil reforça sua estratégia de se posicionar como contraponto à influência dos Estados Unidos em disputas comerciais globais. O histórico recente mostra que Pequim tem buscado alianças com países afetados por medidas protecionistas norte-americanas, tentando fortalecer sua presença no cenário internacional.
Especialistas avaliam que o apoio chinês ao Brasil pode abrir novas frentes de cooperação econômica e diplomática entre os dois países, especialmente diante do aumento das tensões comerciais com Washington. A expectativa é que, diante do cenário de incertezas, Brasil e China intensifiquem o diálogo para mitigar os impactos das tarifas e explorar oportunidades de comércio bilateral.