Deputados da oposição seguem ocupando o plenário da Câmara dos Deputados após reunião sem acordo com o presidente Hugo Motta nesta quarta-feira (6). Luciano Zucco, líder oposicionista, afirmou que só deixarão o local se as pautas de anistia aos envolvidos em trama golpista, impeachment de Moraes e fim do foro privilegiado forem discutidas.
A ocupação ocorre em resposta à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes na segunda-feira (4).
Impasse entre oposição e presidência da Câmara
O líder da oposição, Luciano Zucco (PL-RS), declarou que o grupo não chegou a um acordo com Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, e que a ocupação do plenário será mantida. Segundo Zucco, a reunião com Motta foi respeitosa, mas não resultou em avanços. “Estamos confirmando e reafirmando que não sairemos do plenário até que haja uma definição sobre as pautas que os senhores já sabem”, afirmou Zucco.
Os deputados de oposição ocupam a Mesa Diretora, de onde o presidente comanda as sessões, e exigem que o projeto de anistia aos envolvidos na trama golpista seja pautado. Motta recebeu parte dos oposicionistas na Residência Oficial, mas não conseguiu encerrar o protesto ou desobstruir o plenário. Ele antecipou seu retorno a Brasília e cancelou agenda em Fortaleza devido à crise.
A oposição anunciou a obstrução dos trabalhos no Congresso Nacional em reação à prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, decretada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Além da ocupação, presidentes de partidos de centro-direita articulam resposta à decisão judicial.
Propostas e estratégias da oposição
Os oposicionistas condicionam a desocupação do plenário à inclusão de três propostas na pauta: anistia aos envolvidos nas investigações, impeachment do ministro Alexandre de Moraes e fim do foro privilegiado. O chamado “pacote da paz” foi apresentado como resposta ao que consideram injustiças e excessos do Judiciário.
Senadores e deputados argumentam que o foro privilegiado tem sido usado para “apequenar” parlamentares e submeter o Congresso ao Judiciário. O impeachment de Moraes depende de decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para ser votado.
Zucco reforçou que a oposição permanecerá no plenário até que haja avanço nas negociações: “Vamos, em respeito a todos os que estão presos injustamente, em repúdio ao ministro Alexandre de Moraes, iremos permanecer aguardando esse diálogo mais franco. Não tem dia dos pais, não tem final de semana. Vamos permanecer no plenário”.