Jair Bolsonaro foi preso em regime domiciliar nesta segunda-feira (4), por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF. A medida está ligada a um inquérito que também envolve seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, e investiga tentativas de interferência nas investigações e pressão sobre autoridades brasileiras. A prisão foi motivada pelo descumprimento de restrições impostas anteriormente ao ex-presidente.
Entenda a ligação entre Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro na investigação
A prisão de Jair Bolsonaro decorre de um inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que também investiga o deputado Eduardo Bolsonaro por tentar envolver o governo dos Estados Unidos em questões internas do Brasil. A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a investigação após postagens e entrevistas de Eduardo, nas quais ele defendeu sanções americanas contra membros do STF e adotou tom considerado intimidatório contra agentes públicos e julgadores.
Segundo a PGR, as ações buscavam interferir no andamento de processos criminais, incluindo a ação penal contra o próprio ex-presidente. O inquérito foi prorrogado em julho por mais 60 dias para aprofundamento das apurações.
Descumprimento das medidas cautelares
Em junho, a Polícia Federal e a PGR pediram restrições a Bolsonaro, como uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato com outros investigados, autoridades estrangeiras e uso de redes sociais, mesmo de forma indireta. O ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão domiciliar após constatar que Bolsonaro descumpriu a proibição de uso de redes sociais, participando de manifestações e impulsionando ataques ao STF.
De acordo com Moraes, Bolsonaro manteve conduta ilícita ao preparar material para divulgação e pressionar a Corte Suprema, mesmo após as restrições.
Repercussão e desdobramentos
As investigações apontam que Eduardo Bolsonaro, licenciado do mandato e residindo nos Estados Unidos, continuou tentando interferir nos processos contra o pai. Em 29 de junho, ele publicou mensagem na rede social X, considerada nova tentativa de embaraço à apuração.
O ministro Moraes determinou a inclusão dessas postagens nos autos e envio à PGR. As ações de Bolsonaro e Eduardo são vistas pelos investigadores como tentativa de coação, obstrução de investigação contra organização criminosa e atentado à soberania nacional.
Após o anúncio do aumento de tarifas pelo presidente Donald Trump contra o Brasil, Eduardo voltou a ser alvo de pedidos de investigação e medidas cautelares. Bolsonaro, por sua vez, passou a ser investigado por atuar junto ao filho em ações ilegais contra autoridades brasileiras via governo americano.
Moraes destacou que apoiadores de Bolsonaro utilizaram suas falas e participação, mesmo por telefone e redes sociais, para impulsionar ataques e pressionar o STF, justificando a necessidade da prisão domiciliar.