Economia

Camex aprova consulta à OMC contra tarifa de 50 dos EUA sobre produtos brasileiros

Decisão é resposta ao aumento de tarifas imposto por Trump e busca proteger setores afetados como carne e café

O conselho de ministros da Camex aprovou nesta sexta-feira (1º) a abertura de consulta formal à OMC contra os Estados Unidos, após o governo Trump impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros como carne e café.

A medida visa defender os interesses nacionais e pode evoluir para um painel de julgamento internacional. O Brasil já havia anunciado que recorreria à OMC após o anúncio do tarifaço.

Reação do governo brasileiro e negociações

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, explicou que o desafio agora é trabalhar para reduzir a alíquota de 50% ou excluir setores atingidos pelo tarifaço. Segundo Alckmin, “já fizemos uma reunião com o setor do agro e vamos fazer outra amanhã. Estamos ouvindo os setores e trabalhando para defender os interesses do Brasil”.

Produtos como suco de laranja e minérios, muito importados pelos EUA, ficaram de fora da sobretaxa, mas carne, café, frutas e móveis estão entre os afetados. Alckmin também destacou a busca de novos mercados, citando oportunidades na União Europeia e Reino Unido, onde bloqueios sanitários anteriores podem ser superados.

Reivindicações do setor privado

Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca), avaliou que as reuniões com o governo têm sido repetitivas e que ainda não houve medidas eficazes para mitigar impactos sobre empregos e produção. O setor pede linha de crédito de baixo custo e soluções rápidas. “O tempo da gente não é de médio prazo, é de curto prazo. Tem que ser para ontem”, afirmou Lobo.

Alckmin respondeu que o plano de contingência está sendo finalizado e que “em questão de dias isso será resolvido”. “Conosco não tem pré-datado, é PIX. Na hora que resolver, paga”, garantiu o ministro.

Medidas de apoio e planos do governo

Programa Acredita Exportação

O governo lançou o programa Acredita Exportação, que entrou em vigor nesta segunda-feira. Ele prevê que pequenas empresas exportadoras receberão de volta 3% do valor exportado. O setor empresarial pediu a extensão desse benefício para empresas prejudicadas pelas exportações aos EUA.

Plano de contingência e compras públicas

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) anunciou investimento de R$ 2,4 bilhões em compras de mais de 10 mil equipamentos de saúde, priorizando produtos nacionais. Questionado sobre a inclusão de alimentos perecíveis nas compras públicas, Alckmin afirmou que o plano de contingência pode prever assistência nesse sentido, com várias medidas sendo concluídas para anúncio em breve.

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