Economia

Banco Central alerta para impactos setoriais do tarifaço de Trump e recomenda cautela

Medidas tarifárias dos Estados Unidos afetam exportadores brasileiros e pressionam inflação segundo ata do Copom

O Banco Central destacou nesta terça-feira (5) que o tarifaço imposto pelo governo Trump traz impactos setoriais relevantes à economia brasileira.

A instituição recomenda que o país adote uma postura de cautela diante das incertezas, monitorando os efeitos sobre exportadores e a inflação.

A ata do Copom também aponta manutenção da Selic em 15% ao ano, sinalizando juros altos por período prolongado.

Impactos das tarifas americanas

De acordo com o Banco Central, as tarifas impostas pelos Estados Unidos afetam principalmente setores exportadores do Brasil, trazendo desafios à balança comercial e ao crescimento econômico. O decreto assinado pelo presidente Donald Trump elevou para 50% a alíquota sobre produtos brasileiros, com exceções para segmentos como o aeronáutico, energético e parte do agronegócio. A medida entra em vigor nesta quarta-feira (6).

Segundo a Amcham Brasil, cerca de 10 mil empresas brasileiras exportadoras podem ser impactadas, empregando aproximadamente 3,2 milhões de pessoas. Os setores afetados já buscam alternativas junto ao governo federal para mitigar prejuízos.

Inflação e atividade econômica

O Copom aponta que o cenário prospectivo de inflação permanece desafiador, com expectativas acima da meta em todos os horizontes. A atividade econômica mostra moderação no crescimento, com dados mistos entre setores. O BC avalia que essa desaceleração é parte da estratégia para conter a inflação, mantendo o chamado “hiato do produto” positivo, ou seja, a economia opera acima do potencial sem pressionar ainda mais os preços.

Juros altos e política monetária

O Copom decidiu manter a taxa Selic em 15% ao ano, maior nível em cerca de 20 anos, e sinalizou que a política monetária seguirá contracionista por um período prolongado para garantir a convergência da inflação à meta. O BC reforça que futuras decisões poderão ser ajustadas e não hesitará em elevar os juros caso considere necessário.

Para os próximos anos, as projeções do mercado para a inflação oficial seguem acima da meta central de 3%, com estimativas de 5,07% para 2025, 4,43% para 2026, 4% para 2027 e 3,8% para 2028. O BC observa que alterações na Selic demoram de seis a 18 meses para impactar a economia e já mira metas futuras.

Outros recados do Copom

O mercado de crédito apresenta moderação, com recuo nas concessões e aumento da inadimplência. No crédito às pessoas físicas, há maior comprometimento da renda com dívidas. O mercado de trabalho, por outro lado, mantém dinamismo, com redução do desemprego e ganhos reais acima da produtividade, sustentando consumo e renda.

O BC ressalta ainda a importância da política fiscal para a inflação e alerta que o enfraquecimento das reformas estruturais e da disciplina fiscal pode elevar a taxa de juros neutra, dificultando o controle inflacionário e aumentando o custo da desinflação.

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