A Associação Nacional de Restaurantes dos Estados Unidos enviou nesta sexta-feira (1º) uma carta ao governo Trump pedindo a exclusão de carne e café das novas tarifas impostas pelo país.
Segundo a entidade, a medida encareceria itens populares e afetaria consumidores, além de pressionar pequenos negócios do setor.
O setor destaca a dependência de cadeias globais de suprimento para manter a qualidade e a acessibilidade dos produtos.
Impacto das tarifas sobre alimentos e bebidas
Em sua carta, a Associação Nacional de Restaurantes alertou que as novas tarifas podem aumentar os preços de itens populares como café e hambúrgueres, além de elevar os custos de outros ingredientes essenciais ao cardápio. “Essas mudanças podem aumentar os preços de itens populares em restaurantes, como café e hambúrgueres, e elevar os preços de muitos outros ingredientes essenciais para o cardápio”, diz o comunicado.
A presidente e CEO da entidade, Michelle Korsmo, afirmou que operar um restaurante está cada vez mais difícil devido à pressão econômica e regulatória, além do aumento de quase 5% nos custos de alimentos no atacado desde o ano passado. Ela destacou que as tarifas agravariam essa situação, podendo obrigar operadores a repassar os custos aos consumidores. “Muitos operadores podem não ter outra opção a não ser aumentar os preços do cardápio, algo que relutam em fazer, pois sabemos que os americanos podem ter que optar por jantar fora com menos frequência se os preços subirem”, afirmou Korsmo.
O comunicado reforça que alimentos e bebidas não são responsáveis pelo desequilíbrio da balança comercial dos EUA, argumento utilizado pelo governo Trump para impor as tarifas.
Dependência de importações e riscos para o setor
A entidade ressaltou que muitos produtos essenciais não podem ser cultivados nos EUA durante todo o ano, tornando as cadeias globais de suprimento fundamentais para garantir qualidade e consistência. A associação reforçou a importância de alimentos brasileiros, como carne e café, e de bebidas vindas da União Europeia para o setor.
Em carta anterior, divulgada no dia 29 de julho, a associação já expressava preocupação com o impacto de tarifas sobre importações, especialmente de parceiros como Brasil, União Europeia, México e Canadá. Segundo o setor, uma tarifa de 30% sobre produtos alimentícios e bebidas desses países poderia custar aos restaurantes americanos US$ 15,16 bilhões, resultando em perda de 35% do lucro para pequenos operadores.
Os restaurantes operam com margens médias de 3 a 5% antes dos impostos e possuem, em média, apenas 16 dias de caixa disponível, o que torna aumentos de custos insustentáveis para a maioria. A entidade pediu que produtos em conformidade com o USMCA permaneçam isentos durante as negociações com México e Canadá.
Por fim, a associação defendeu políticas comerciais sensatas que protejam pequenas empresas, preservem empregos e mantenham a alimentação fora de casa acessível para as famílias americanas.