Produtos brasileiros como café, chocolate, carne, frutas e açúcar orgânico podem ficar mais caros para os americanos devido à tarifa de 50% imposta por Donald Trump. A medida, que já afeta setores como o automotivo e alimentício, pode inviabilizar exportações do Brasil e elevar preços nos EUA, segundo entidades e especialistas.
O impacto é sentido em itens consumidos diariamente, como iogurtes, barras de cereal e alimentos enlatados, e pode pressionar ainda mais o custo de vida dos americanos.
Impacto nos principais setores
Alimentos e bebidas
Segundo a Organic Trade Association (OTA), a tarifa de 50% pode encarecer produtos como iogurtes, sorvetes, achocolatados, kombucha e barras de cereal, já que o Brasil é importante fornecedor de insumos como açúcar orgânico e manteiga de cacau. O país foi responsável por 49% das importações americanas de açúcar orgânico entre 2023 e 2024, seguido por Paraguai (19%) e Colômbia (13%).
No segmento de chocolate, o Brasil ocupa o quinto lugar entre os exportadores de manteiga de cacau para os EUA, com US$ 61,4 milhões embarcados, atrás de Indonésia, Malásia, Peru e Índia. O preço do chocolate já vinha subindo globalmente devido a condições climáticas adversas e pragas nas regiões produtoras.
Frutas e café
O Brasil é o quarto maior fornecedor de alimentos para os EUA, com US$ 7,4 bilhões em importações. Destaca-se na exportação de manga e goiaba, com US$ 56 milhões enviados em 2024. Produtores já relatam cancelamentos de pedidos devido à tarifa, e a oferta reduzida pode elevar preços nos supermercados americanos. Estimativas do The Budget Lab apontam alta de 6,9% nos preços de frutas e legumes no curto prazo.
Em café, o Brasil responde por cerca de um terço das importações dos EUA e 37% da produção mundial. A Colômbia, segundo maior fornecedor, tem tarifa menor, mas não conseguiria suprir a demanda americana. O Tax Foundation alerta que a tarifa pode elevar o preço do café para o consumidor dos EUA.
Carne e carros
O Brasil é o maior exportador de carne do mundo e representa 23% das importações americanas. A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) alerta que a tarifa pode inviabilizar as vendas ao mercado americano. O The Budget Lab projeta aumento de 1,1% nos preços da carne bovina logo após a medida. Já no setor automotivo, metais brasileiros como aço e nióbio são essenciais para a indústria dos EUA, que pode sofrer com aumento de até 39,4% nos preços de carros no curto prazo.
As tarifas impostas por Donald Trump têm como objetivo revitalizar a indústria siderúrgica americana, mas entidades como o Can Manufacturers Institute alertam para o efeito cascata nos preços de produtos que usam aço e alumínio, como alimentos enlatados. Em sua primeira gestão, Trump já havia sobretaxado esses metais, e análises da Comissão de Comércio Internacional dos EUA apontaram impacto negativo na economia devido ao aumento de preços em diversos setores.
No caso do café, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, mencionou a possibilidade de isentar produtos não cultivados no país, mas não há definição sobre quando ou se itens brasileiros seriam beneficiados. O Tax Foundation destaca que o sabor único do café brasileiro não pode ser facilmente substituído, e consumidores podem optar por pagar mais para manter o produto.
Especialistas afirmam que, se as tarifas tornarem proibitivas as importações brasileiras, a indústria americana pode enfrentar dificuldades para suprir a demanda, pressionando ainda mais os preços internos. O cenário já é agravado por fatores estruturais, como o consumo crescente de carne e o aumento global dos preços de commodities agrícolas.