O decreto assinado por Donald Trump nesta quarta-feira (30) impôs uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, mas isentou 694 produtos. Segundo a Amcham, esses itens representam US$ 18,4 bilhões em exportações do Brasil aos EUA em 2024, ou 43,4% do total exportado. A medida atenua parte dos efeitos do tarifaço, mas mantém impacto relevante sobre setores estratégicos.
Exceções e setores beneficiados
A lista de exceções, presente no anexo da ordem executiva assinada por Trump, contempla segmentos estratégicos da economia brasileira. Entre os principais produtos isentos da nova alíquota estão aeronaves civis e peças, veículos de passageiros e caminhões leves, suco e polpa de laranja, petróleo, carvão, gás natural e derivados, celulose, ferro-gusa, fertilizantes, metais industriais, smartphones, eletrônicos, bens pessoais, produtos agrícolas como castanha-do-brasil e madeira tropical, além de donativos, livros, obras de arte e material jornalístico.
No setor aeronáutico, a Embraer foi especialmente beneficiada, já que os EUA respondem por 45% das vendas de jatos comerciais e 70% das de jatos executivos da fabricante. A notícia impulsionou as ações da empresa em 10% com a inclusão do setor entre as exceções.
Produtos atingidos pela tarifa
Apesar das isenções, a tarifa de 50% deve afetar fortemente setores exportadores como café, carne bovina, frutas, máquinas agrícolas e industriais, móveis, têxteis e calçados. Esses produtos, entre os mais vendidos pelo Brasil aos Estados Unidos, permanecem sujeitos ao aumento tarifário, comprometendo a competitividade de empresas brasileiras e cadeias globais de valor, segundo comunicado da Amcham.
Justificativas e repercussão política
A nova tarifa foi formalizada por meio de uma ordem executiva e de uma declaração de emergência nacional, nas quais o governo dos EUA acusa o Brasil de ameaçar a segurança nacional, a economia e a política externa americana. O documento faz menção direta ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, acusando-o de censurar empresas americanas e perseguir críticos do governo brasileiro.
O caso do blogueiro Paulo Figueiredo, residente nos EUA e processado no Brasil, é citado como exemplo dessas ações. Além da tarifa, Trump determinou a revogação dos vistos de Moraes, de outros ministros do STF e de seus familiares, integrando a medida ao pacote de retaliação dos EUA.