Economia

Fed mantém juros dos EUA entre 4,25 e 4,50 ao ano pela quinta vez consecutiva

Banco central dos EUA resiste à pressão de Trump por cortes e mantém política monetária estável em meio a incertezas econômicas

O Federal Reserve decidiu nesta quarta-feira (30) manter as taxas de juros dos Estados Unidos na faixa de 4,25% a 4,50% ao ano pela quinta reunião seguida.

A decisão era esperada pelo mercado, mas contraria os apelos do presidente Donald Trump, que pressiona por cortes nas taxas básicas.

O banco central dos EUA justificou a manutenção citando incertezas econômicas e impactos do tarifaço, mesmo com avanços recentes em indicadores.

Decisão do Fed e justificativas

O Federal Reserve manteve inalteradas as taxas de juros dos EUA pela quinta vez consecutiva, mantendo-as entre 4,25% e 4,50% ao ano. O comunicado divulgado após a reunião destacou as incertezas relacionadas aos possíveis impactos do tarifaço imposto pelo governo, repetindo argumentos das decisões anteriores, mas reconhecendo melhorias em indicadores econômicos recentes.

Segundo o Fed, “indicadores recentes sugerem que o crescimento da atividade econômica se moderou na primeira metade do ano. A taxa de desemprego continua baixa, e as condições do mercado de trabalho permanecem sólidas. A inflação segue um pouco elevada”. O banco central afirmou que continuará monitorando os efeitos das informações econômicas para embasar futuras decisões, ressaltando que a incerteza em relação às perspectivas econômicas permanece elevada, incluindo os efeitos do tarifaço.

O comunicado também afirmou que “as avaliações do Comitê levarão em conta uma ampla gama de informações, incluindo dados sobre as condições do mercado de trabalho, pressões inflacionárias e expectativas de inflação, além de desenvolvimentos financeiros e internacionais”.

Pressão de Trump e impactos globais

Trump intensifica cobrança por cortes

O presidente Donald Trump vem pressionando o Fed por cortes nas taxas de juros, defendendo que a medida estimularia a economia e facilitaria o acesso ao crédito. Trump argumenta que as tarifas impostas a parceiros comerciais visam reduzir o déficit comercial dos EUA, impulsionando exportações e a indústria nacional. Entretanto, especialistas apontam que o tarifaço pode elevar a inflação, já que empresas americanas indicaram aumentos de preços para compensar os custos extras, afetando consumidores e preocupando o Fed.

Após a divulgação do crescimento econômico de 3% no segundo trimestre, acima das expectativas, Trump comemorou o resultado e voltou a cobrar o Fed: “O PIB do 2º trimestre acabou de ser divulgado: 3%, muito melhor do que o esperado! ‘Tarde Demais’ [Jerome Powell], é preciso reduzir a taxa. Sem Inflação! Deixe as pessoas comprarem e refinanciarem suas casas!”. Em coletiva, Trump reforçou: “Estamos mantendo as taxas altas, e isso está impedindo as pessoas de comprarem casas. Tudo por causa do Fed.”

Repercussão no Brasil e nos mercados

Juros elevados nos EUA aumentam o rendimento das Treasuries, atraindo investidores estrangeiros e fortalecendo o dólar. Isso tende a reduzir investimentos no Brasil, pressionando o real e influenciando a inflação local. O dólar mais alto pode afetar o ciclo de juros do Banco Central brasileiro, que pode ser forçado a manter a Selic elevada por mais tempo.