As ações da Embraer subiram mais de 10% nesta quarta-feira após o anúncio de que o setor aeronáutico brasileiro ficou de fora da nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. A medida, assinada por Donald Trump, inclui exceções para aeronaves civis e outros produtos, aliviando preocupações do mercado.
A decisão ocorre em meio a tensões políticas entre Brasil e EUA, que também envolveram sanções ao ministro Alexandre de Moraes e críticas ao governo brasileiro.
Entenda a exceção para o setor aeronáutico
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, anunciou uma tarifa extra de 40% sobre produtos brasileiros, elevando a alíquota total para 50%. No entanto, aeronaves civis, motores, peças, subconjuntos e simuladores de voo fabricados pela Embraer foram incluídos em uma lista de mais de 700 itens isentos da nova cobrança.
Segundo estimativas da própria Embraer, caso a tarifa fosse aplicada, os custos poderiam subir em até R$ 50 milhões por avião. O presidente da empresa, Francisco Gomes Neto, afirmou que o impacto seria comparável ao período da pandemia de Covid-19, pois os contratos de venda normalmente repassam tarifas de importação às companhias aéreas, o que poderia inviabilizar negócios.
Além do setor aeronáutico, produtos como suco de laranja, combustíveis, veículos, metais, madeira, fertilizantes e energia também ficaram de fora da tarifa. A medida passa a valer a partir da entrada em vigor da ordem executiva, com exceções para bens em trânsito e produtos de uso pessoal.
Repercussão política e impactos econômicos
A decisão de Trump gerou reações no Congresso brasileiro, com parlamentares acusando Washington de retaliação política e defendendo a soberania nacional. A Casa Branca justificou as medidas alegando que o Brasil representa uma ‘ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional’ dos EUA, citando perseguição política contra Jair Bolsonaro e críticas ao ministro Alexandre de Moraes.
Além das tarifas, Trump sancionou Moraes com base na lei Magnitsky, cancelando vistos do ministro do STF, de outros integrantes da Corte e familiares. O ministro Flávio Dino defendeu Moraes, enquanto Eduardo Bolsonaro chamou a decisão americana de ‘marco histórico’.
Apesar das exceções, a nova tarifa deve impactar setores estratégicos da balança comercial brasileira, como café, carne e outros produtos agrícolas, que ficaram fora da isenção. Há possibilidade de ampliação das exclusões na próxima semana, incluindo café e manga.
Especialistas avaliam que a exceção para a Embraer fortalece sua posição internacional e pode abrir espaço para novas parcerias e investimentos, enquanto o restante do comércio bilateral segue sob tensão.