O Brasil pode perder até US$ 1 bilhão em 2025 com a venda de carne bovina para os Estados Unidos, caso uma tarifa de 50% seja imposta a partir de sexta-feira (1°).
A estimativa é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que representa empresas como JBS e Marfrig.
Os EUA são o segundo maior destino da carne bovina brasileira, atrás apenas da China.
Impacto da tarifa nas exportações brasileiras
Segundo o Ministério da Agricultura, os Estados Unidos compram 12% do volume total de carne bovina exportado pelo Brasil, enquanto a China responde por 48%. De acordo com a Abiec, a aplicação da tarifa de 50% tornaria as vendas para o mercado norte-americano “inviáveis” para as empresas brasileiras.
Roberto Perosa, diretor da Abiec, afirmou que a expectativa era vender cerca de 400 mil toneladas de carne bovina para os EUA até o final deste ano. No entanto, com a nova tarifa, não haveria mercado capaz de substituir imediatamente os EUA, devido ao grande volume demandado e aos preços praticados.
No primeiro semestre deste ano, os frigoríficos brasileiros exportaram aproximadamente 181 mil toneladas de carne bovina para os EUA, totalizando US$ 1 bilhão, o que corresponde a 12% do total exportado pelo setor.
Outros setores também podem ser afetados
Além da carne bovina, o setor de suco de laranja brasileiro também pode sofrer impactos com o chamado “tarifaço”. Segundo associações do setor, as perdas podem chegar a até R$ 4,3 bilhões por ano caso as tarifas sejam aplicadas.
A Abiec ressalta que a rápida substituição do mercado norte-americano é improvável, tanto pelo volume quanto pelo valor das transações. O setor acompanha de perto as negociações e busca alternativas para minimizar os prejuízos.
O cenário reforça a importância do mercado internacional para a cadeia produtiva da carne bovina e a necessidade de diversificação dos destinos das exportações brasileiras.