O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou nesta terça-feira (29) com ministros ligados ao União Brasil em Brasília. Participaram Celso Sabino, Frederico de Siqueira e Waldez Góes, este último indicado por Davi Alcolumbre. O encontro não estava previsto na agenda oficial e o assunto não foi divulgado pelo Planalto.
Crise com União Brasil
A reunião entre Lula e os ministros ocorre em meio a uma crise política com o União Brasil, partido que ocupa três ministérios no governo, mas tem dado sinais de afastamento. Recentemente, o líder do partido no Senado, Efraim Filho, participou da inauguração da nova sede do PL na Paraíba ao lado de Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama.
Durante o evento, Efraim declarou apoio à pré-candidatura de Marcelo Queiroga, ex-ministro de Bolsonaro, ao Senado em 2026. Após a cerimônia, o senador afirmou que devolveria os cargos federais sob sua indicação, gesto interpretado como rompimento com o governo Lula.
O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também declarou neste mês que considera “muito remota” a possibilidade de apoiar a reeleição de Lula em 2026. Segundo Rueda, a sigla está, por ora, focada em lançar candidatura própria, mas, caso isso não se concretize, tende a apoiar uma alternativa mais à direita.
Apesar de controlar três ministérios, o União Brasil não tem garantido apoio consistente ao governo em votações no Congresso. O movimento recente de Efraim Filho de devolver cargos federais amplia a tensão e coloca em xeque a permanência do partido na base aliada.
A reunião de Lula com os ministros do União Brasil, fora da agenda oficial, é vista como tentativa de reverter o desgaste e buscar diálogo em meio ao cenário de incertezas para a governabilidade. A postura do partido pode impactar votações de interesse do Planalto e influenciar os rumos das alianças para as eleições de 2026.