O Brasil saiu novamente do Mapa da Fome, conforme relatório divulgado nesta segunda-feira (28) pela Organização das Nações Unidas. O levantamento indica que menos de 2,5% da população está em risco de subnutrição, retirando o país da categoria de insegurança alimentar grave. O anúncio ocorreu durante evento oficial da 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, em Adis Abeba, na Etiópia.
Entenda o Mapa da Fome
O Mapa da Fome é elaborado pela FAO, agência da ONU especializada em Alimentação e Agricultura. O indicador mede o acesso da população à alimentação suficiente para uma vida ativa e saudável. A saída do Brasil do mapa significa que o país não se enquadra mais na classificação de insegurança alimentar grave, segundo os critérios internacionais.
Desafios persistem
Apesar do avanço, especialistas ouvidos pelo g1 explicam que o Brasil, mesmo sendo um dos maiores produtores de alimentos do mundo, ainda enfrenta dificuldades para garantir alimentação adequada a toda a população. O desemprego caiu, mas os preços dos alimentos continuam subindo, o que afeta o acesso de famílias à comida suficiente.
Há divergências sobre o papel da produção agropecuária: alguns argumentam que ela está mais voltada à exportação do que ao abastecimento interno, enquanto outros defendem que o modelo atual atende tanto ao mercado interno quanto externo. Além disso, as mudanças climáticas são apontadas como o principal risco para o desabastecimento futuro.
Desertos alimentares e perspectivas
Mesmo fora do Mapa da Fome, o Brasil ainda apresenta regiões conhecidas como desertos alimentares, onde há pouca ou nenhuma oferta de alimentos saudáveis. Esse cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas para melhorar o acesso à alimentação de qualidade.
O debate sobre o equilíbrio entre exportação e abastecimento interno permanece central para garantir a segurança alimentar no futuro. Especialistas ressaltam a importância de monitorar os impactos das mudanças climáticas e de adotar estratégias para mitigar riscos de desabastecimento, especialmente em áreas mais vulneráveis do país.