A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou nesta terça-feira (21) um relatório que confirma a melhora dos indicadores de segurança alimentar no Brasil, que permanece fora do Mapa da Fome pelo segundo ano consecutivo.
O documento aponta que o país atingiu o menor nível histórico de insegurança alimentar severa, caindo para 0,6% da população — resultado que tirou 16,7 milhões de pessoas dessa condição entre 2023 e 2025.
O que é o Mapa da Fome e por que o Brasil saiu dele
O Mapa da Fome é elaborado pela FAO, agência da ONU especializada em Alimentação e Agricultura, e mede o acesso da população a uma alimentação suficiente para uma vida ativa e saudável. O Brasil havia deixado a lista em 2014, mas voltou a integrá-la após a análise de dados entre 2018 e 2020, período em que a insegurança alimentar aumentou no país. Em 2025, o Brasil saiu novamente da lista — e o novo relatório confirma a permanência fora dela pelo segundo ano seguido.
Segundo o levantamento, o país manteve menos de 2,5% da população em risco de subalimentação, quando uma pessoa consome habitualmente menos calorias do que o necessário para uma vida ativa e saudável.
Panorama mundial também melhora
O relatório estima que 7,8% da população mundial enfrentou fome em 2025, redução frente aos 8,1% de 2024 e aos 8,6% de 2022. Cerca de 645 milhões de pessoas passaram fome no triênio encerrado em 2025, quase 14 milhões a menos que no triênio anterior.
A melhora nos indicadores brasileiros acompanha um cenário global mais favorável: em junho, a FAO já havia registrado a segunda queda consecutiva no índice de preços internacionais de alimentos.
Custo da alimentação saudável cai, mas inflação interna preocupa
A proporção de brasileiros que não podem pagar por uma alimentação saudável também recuou, chegando a 21,1% no triênio encerrado em 2025. Segundo a FAO, o custo da dieta saudável no Brasil foi de US$ 4,89 (em paridade de poder de compra) por pessoa ao dia, abaixo da média da América do Sul (US$ 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ 4,91).
Para chegar a esses números, a FAO combina indicadores macroeconômicos e demográficos, como tamanho da população, perfil de renda e custo médio de uma cesta de alimentos saudável.
No mercado interno, porém, o quadro é mais tenso: o IPCA-15 de junho mostrou os alimentos entre os principais responsáveis pela pressão inflacionária no Brasil, um sinal de que a melhora nos indicadores de segurança alimentar pode conviver com desafios de custo de vida no curto prazo.
