O governo dos Estados Unidos determinou a destruição de anticoncepcionais avaliados em US$ 9,7 milhões, que seriam enviados a países de baixa renda. A decisão, baseada na Política da Cidade do México, reacendeu críticas de ONGs, entidades feministas e parlamentares. Os produtos haviam sido adquiridos sob a gestão de Joe Biden para distribuição, especialmente na África Subsaariana.
Repercussão internacional e justificativas
A ordem de destruição foi fundamentada na Política da Cidade do México, reinstaurada por Donald Trump em 2017 e novamente em 2025. Essa diretriz proíbe o financiamento de ONGs estrangeiras envolvidas com a promoção ou realização do aborto, afetando contratos da agência USAID feitos durante o governo Biden.
Entidades como a MSI Reproductive Choices e a IPPF (Federação Internacional de Planejamento Familiar) tentaram adquirir, reembalar e distribuir os anticoncepcionais sem custos para o governo dos EUA, mas suas propostas foram rejeitadas. O Ministério das Relações Exteriores da Bélgica também buscou alternativas diplomáticas para evitar a destruição, incluindo a possibilidade de realocação temporária dos produtos.
Nos EUA, os senadores democratas Jeanne Shaheen e Brian Schatz apresentaram um projeto de lei para impedir a incineração do material. A IPPF classificou a medida como “coerção reprodutiva intencional”.
Pressão na França e críticas de ativistas
Na França, onde os anticoncepcionais devem ser incinerados, ativistas e políticos pressionam o presidente Emmanuel Macron a não colaborar com o que consideram políticas retrógradas dos EUA. Sarah Durocher, presidente do Planning Familial, declarou que um governo que inscreve com orgulho o direito ao aborto na Constituição deve também proteger a contracepção e os direitos das meninas além de suas fronteiras.
A decisão do governo Trump foi amplamente criticada como desperdício e ataque aos direitos das mulheres, especialmente em regiões vulneráveis. O caso expõe tensões diplomáticas e reacende o debate sobre políticas reprodutivas e direitos internacionais.