A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou na madrugada desta sexta-feira (18) um corte de US$ 9 bilhões, proposto pelo presidente Donald Trump. A medida impacta o financiamento da mídia pública e a ajuda externa. O projeto foi aprovado por 216 votos a 213 e agora aguarda sanção presidencial.
O Senado já havia alterado o pacote para manter US$ 400 milhões destinados ao programa PEPFAR, de combate ao HIV/AIDS. O corte foi comemorado por Trump nas redes sociais.
Impactos e justificativas do corte
O corte de US$ 9 bilhões, equivalente a quase R$ 50 bilhões, afeta diretamente o financiamento de rádios, canais como a PBS e programas de ajuda externa dos EUA. Segundo republicanos, os recursos cortados eram destinados a programas considerados inúteis e à mídia pública, que seria parcial contra visões conservadoras. O financiamento de US$ 1 bilhão à mídia pública foi especialmente criticado.
O deputado Aaron Bean, republicano da Flórida, afirmou: “Estamos dando um pequeno passo para cortar gastos desnecessários, mas um grande salto em direção à sanidade fiscal”. Ele defendeu que a Casa Branca envie pacotes semelhantes de cortes todos os meses.
Por outro lado, o líder da minoria democrata, Hakeem Jeffries, criticou a medida, dizendo que ela mina a capacidade dos EUA de manter seu povo seguro e de projetar poder brando no exterior. Jeffries também alertou para prejuízos no acesso de americanos em áreas rurais a informações de emergência via rádio público.
O Senado excluiu do pacote o corte de US$ 400 milhões ao PEPFAR, programa de prevenção ao HIV/AIDS, preservando parte do orçamento destinado à saúde global.
Votação marcada por polêmicas
A votação foi atrasada por horas devido a discussões sobre outros temas, incluindo pressões por mais transparência do governo em relação ao caso do financista Jeffrey Epstein. Para atender a essas demandas, republicanos apresentaram uma resolução exigindo que o procurador-geral dos EUA divulgue documentos sobre Epstein em até 30 dias. O deputado democrata Jim McGovern, de Massachusetts, considerou a medida ineficaz, classificando-a como “comunicado de imprensa disfarçado”.
Na véspera da votação, o Wall Street Journal publicou que Trump teria enviado uma carta de aniversário a Epstein com um desenho de mulher nua. Trump negou e prometeu processar o jornal.
Perspectivas e próximos passos
Funcionários da administração Trump prometeram enviar novos pedidos de cortes ao Congresso. O corte aprovado representa apenas uma pequena fração dos recursos que o governo já bloqueou. Parlamentares democratas afirmam que mais de US$ 425 bilhões em gastos autorizados pelo Congresso foram bloqueados desde o início do segundo mandato de Trump.
Trump celebrou a aprovação do pacote, destacando que “os republicanos tentaram fazer isso por 40 anos, e falharam… mas agora não mais”.