Economia

Dólar sobe com expectativa por acordo entre Estados Unidos e União Europeia e tarifaço

Mercado reage ao anúncio de novo tratado comercial e à proximidade da imposição de tarifas por Trump

O dólar abriu em alta de 0,46% nesta segunda-feira (28), cotado a R$ 5,5871 às 09h20, com máxima de R$ 5,5936. O movimento ocorre em meio à expectativa pelo início do tarifaço dos Estados Unidos e após anúncio de acordo comercial entre EUA e União Europeia, divulgado no domingo (27).

O Ibovespa inicia suas negociações às 10h, enquanto investidores acompanham os desdobramentos das negociações internacionais e possíveis impactos para o Brasil.

Acordo entre Estados Unidos e União Europeia

A aproximação do prazo de 1º de agosto para o início do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, coloca as negociações comerciais no centro das atenções. No domingo (27), foi anunciado um novo acordo entre EUA e União Europeia, que estabelece uma taxa de 15% sobre todos os produtos europeus, incluindo automóveis, semicondutores e produtos farmacêuticos. O aço e o alumínio permanecem com sobretaxa de 50%.

Segundo Trump, a União Europeia investirá US$ 600 bilhões nos EUA e firmará acordos para compra de energia e equipamentos militares norte-americanos. “O acordo com a União Europeia é o maior já feito”, declarou o presidente.

Reações na Europa

Líderes europeus reagiram de forma dividida ao tratado. O primeiro-ministro francês, François Bayrou, afirmou que a Europa pode enfrentar “um período sombrio” e criticou a submissão do bloco. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse que Trump “devorou” a presidente da Comissão Europeia, Úrsula Von der Leyen, nas negociações.

Já a ministra da economia da Alemanha, Katherina Reiche, destacou que o acordo traz desafios, mas também oferece certeza ao bloco. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, apoiou o tratado, mas declarou fazê-lo “sem qualquer entusiasmo”.

Desempenho do dólar e Ibovespa

O dólar acumula queda de 0,47% na semana, alta de 2,35% no mês e recuo de 10,01% no ano. O Ibovespa apresenta alta semanal de 0,11%, queda de 3,84% no mês e avanço de 11,01% no ano.

Impactos para o Brasil e bastidores das negociações

A proximidade do tarifaço de Trump aumenta as preocupações sobre a situação brasileira. As negociações do Brasil com os EUA não avançaram, e investidores mantêm cautela quanto à resposta do governo brasileiro.

Na semana passada, o presidente Lula (PT) afirmou a interlocutores que não há canal de negociação direta e fluida com Trump, restando apenas conversas diplomáticas que não chegam à Secretaria de Comércio dos EUA nem à Casa Branca.

Assessores presidenciais relataram que Trump pretende “punir” o Brasil, apesar de não haver motivo econômico para a tarifa máxima, o que elevou o pessimismo do governo sobre a possibilidade de revogação do tarifaço.

Na sexta-feira, uma comissão de senadores brasileiros viajou aos EUA para tentar abrir diálogo, mas a iniciativa enfrenta resistência de diplomatas e boicote de figuras como Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Paulo Figueiredo.

Interlocutores de Lula em Nova York informaram que Trump não autorizou sua equipe a dialogar com o Brasil. O vice-presidente Geraldo Alckmin revelou que há conversas com o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, mas a orientação é que todas as decisões estão centralizadas na Casa Branca.

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