Política

Celso Amorim critica ameaça de tarifa de Trump contra exportações brasileiras

Assessor de Lula afirma ao Financial Times que postura dos EUA não tem precedentes e destaca decisão do Brasil de fortalecer os Brics

Celso Amorim, assessor de política externa do presidente Lula, criticou a ameaça de Donald Trump de impor tarifa de 50% às exportações brasileiras aos EUA. Em entrevista ao Financial Times, Amorim afirmou que a interferência americana “não tem precedentes nem em tempos coloniais”. As tarifas devem vigorar a partir de 1º de agosto, segundo anúncio de Trump.

Em entrevista ao Financial Times, Celso Amorim classificou como inédita a ameaça de Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre as exportações brasileiras para os Estados Unidos. Amorim afirmou que “nem a União Soviética teria feito algo assim”, destacando a gravidade da tentativa de interferência nos assuntos internos do Brasil. Segundo ele, nem mesmo em períodos coloniais houve ação semelhante.

O anúncio das tarifas foi feito por Trump, que justificou a medida citando o tratamento dado pela Justiça brasileira ao ex-presidente Bolsonaro. A decisão deve entrar em vigor a partir de 1º de agosto, afetando setores estratégicos da economia brasileira que exportam para o mercado americano.

Apesar das pressões externas, Amorim ressaltou que o Brasil seguirá aprofundando sua participação no bloco dos Brics, formado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul. O assessor reiterou o compromisso do governo Lula em fortalecer as relações multilaterais, mesmo diante de ameaças comerciais vindas dos Estados Unidos.

Negociações na Escócia

O contexto das declarações de Amorim ocorre em meio a negociações internacionais, incluindo discussões na Escócia, onde temas como tarifas e alianças estratégicas estão em pauta. A postura do governo brasileiro, expressa por Amorim, indica uma busca por alternativas diante do cenário de tensões comerciais com os Estados Unidos. A reafirmação do compromisso com os Brics sinaliza a intenção do Brasil de diversificar parcerias e fortalecer sua posição no cenário global, especialmente em resposta a medidas consideradas hostis por parte do governo americano.